O candeeiro dos candeeiros
Sines à noite
13.09.25

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13.09.25

02.06.25

09.05.25
Numa recente visita à Figueira da Foz fiquei muito agradado com o desenvolvimento da cidade, comparando-o com viagens e estadias anteriores. Uma cidade solar, voltada para o turismo, que parece ser a última grande descoberta dos empresários e políticos portugueses. Tudo é turismo ou quase tudo. No entanto, aquilo que me chamou mais a atenção foi a imagem de uma cidade parada, à espera de qualquer coisa que lhe dê vida. Talvez aguarde o verão e os turistas. Alguns hotéis estavam fechados ou a meio gás. O mesmo se passando com alguns restaurantes que nos habituámos a frequentar em busca do bom peixe, e que agora apresentam ementas viradas para o paladar dos turistas. Por exemplo: sardinhas assadas, boas, mas congeladas, informava o próprio restaurante. Outro comedouro servia, por exemplo, espetada de lulas com camarão. Uma única espetada, com camarão mal grelhado, acompanhada por batatas fritas. Deve ser ementa para inglês: fish and chips. Pior, só tinha vinho branco, não tinha doces para sobremesa, não servia descafeínado e tinha o MTB avariado. Também não tinha afluência de clientes. Foi assim que a bela imagem inicial da cidade se esfumou. Aliás, como em outras vilas junto à costa. Dá ideia que só funcionam na época estival em função do turismo interno e externo.
22.10.24

Praia de Porto Pim, Horta, Faial, Açores (fotoAGB)
28.04.24
Cada viajante constrói, das cidades que ama, uma ideia que raramente coincide com a lógica da geografia urbana. Na sua forma de amar uma cidade, desenha percursos, associações imaginárias, mitos instrumentais que o fazem ver as fachadas, os monumentos, as praças e as gentes de uma determinada zona como os melhores sinais identificadores do espírito do lugar. A sua noção de geografia é essencialmente afetiva, as suas preferências não são racionais e, por isso, essa zona eleita figura no seu espírito, e para sempre, como o centro da cidade.
António Mega Ferreira in Roma, exercícios de reconhecimento, 2.ª ed., Sextante Editora, 2019
25.04.24
O Mediterrâneo é a pátria da beleza. Mar, oliveiras, ruínas, portos, faróis antigos, ilhas, mitos, navios - e uma raríssima sabedoria.
in contracapa do livro de MATVEJEVITCH, Predrag, Breviário Mediterrâneo, Quetzal Editores, 2019
11.03.24
Um dia, já lá vão muitos anos, uma professora portuguesa de uma escola próximo de Ourense, convidou-me para uma Festa Literária dedicada aos jovens, numa escola em que era professora, que decorrerira num fim-de-semana numa localidade perto daquela cidade Galega. Trocámos correspondência (ainda não havia emails nem telemóveis) acerca de alguns dos meus livros infanto-juvenis e ela até me falou que contavam também com a presença de Alice Vieira, que nessa época começava a ser muito conhecida devido ao seu livro "Rosa, Minha Irmã Rosa".
No sábado indicado, ao romper da aurora meto-me no carro com a minha mulher e lá fomos corresponder ao amável convite. A meio da manhã, centenas de quilómetros depois, chegámos à localidade galega. Estacionei o automóvel e procurei pelo colégio e pela professora. O colégio estava encerrado, da professora não havia rasto (vivia em Portugal, no Minho), e de Festa Literária na aldeia ninguém sabia. De Alice Vieira também não. Estava um dia esplêndido. Não me senti enganado, eu conhecia a professora, mas a verdade é que algo correra mal. Aproximava-se a hora de almoço. Encontrámos um restaurante familiar com uma agradável ementa, a começar por uma cativante tábua de queijos. Depois do almoço, metemo-nos no automóvel e regressámos a Lisboa como se fosse logo ali ao lado. A despesa foi grande, mas eu corria por gosto. Não me lembro, hoje, com exatidão, qual foi a explicação que a professora me deu, mais tarde, quando a interpelei um pouco aborrecido. Teria tido a ver com a alteração da data da Festa Literária e alguém se esquecera de me avisar. Foi a partir daí que comecei a perceber que trabalhar de borla saía caro.
01.05.23

Roda de enjeitados. Museu de São Salvador da Baía. Brasil. (foto agb)
29.09.22

O escritor António Mega Ferreira ganhou o Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, patrocinado pela APE, com o seu livro Crónicas Italianas, publicado em 2021 com a chancela da Sextante Editora, onde publicou também as obras a seguir referidas. Viajante cultural, profundo conhecedor da vida e da história da cultura italiana, este livro junta-se a outras obras (Roma, exercícios de reconhecimento, 2010; e Itália, Práticas de Viagem, 2017) em que o autor explora a relação da arte e da arquitetura italiana, ao longo dos séculos, com os seus artistas e com as cidades italianas, seja Roma Florença, Bolonha, etc. Uma leitura a não perder.
23.09.22





Não me recordo do local onde o navio atracou. Mas lembro-me bem de ser transportado para o centro da cidade em autocarro. A primeira impressão que colhi foi o cinzento escuro dos edifícios baixos, de pedra, com a patine de séculos. Isto e um tremendo céu escuro que parecia vir abater-se sobre nós. Era domingo e a cidade estava deserta. Não chovia, mas havia uma promessa de que isso pudesse acontecer a qualquer momento. Perguntei-me que tipo de vida podiam levar as cerca de sete mil pessoas que habitam na cidade, embora a população da ilha ultrapassa os vinte mil moradores. A pesca deve ser uma das principais ocupações profissionais. A cidade parece ter sido construída em torno de Fort Charlotte em meados do século XVII. Para mim, nesse domingo, a motivação maior era procurar os lugares onde decorreu parte da série policial britânica “Shetland“. E lá encontrei, por exemplo, a esquadra de polícia onde supostamente trabalhava o inspector Jimmy Perez (Douglas Hanshall) que liderava a série. Achei também curiosa a transformação de uma igreja em biblioteca pública. À excepção de uma pequena papelaria aberta para receber os turistas, pouco mais havia a funcionar. Era domingo, relembro, numa pequena cidade da ilha principal. Edimburgo fica a 480 Km de distância, na Escócia. Preferia ter visitado a cidade num dia que não o domingo, e que tivesse recebido a graça de um pouco de sol, mas ainda assim valeu a pena.
Fotos: 1.ª A esquadra de polícia da série televisiva "Shetland" que julgo ser o edifício da verdadeira esquadra; 2.ª Igreja transformada em biblioteca pública; 3.ª A Geometria da Guerra dentro do Fort Charlotte; 4.ª O interior do Fort Charlotte. 5.ª Uma imagem de Lerwick.
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