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Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

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13.02.24

Onde é que há sombras como as destas casas?

Onde é que há noites como as destas luas?

Onde é que as águias abrem mais as asas

Do que este vento, apunhalando as ruas?

Pedro Homem de Mello, "Poemas (1934-1961)"

09.01.24

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Vi meu amigo ao longe
E ele também me reconheceu
nos aproximámos alegremente
e cada um arrefeceu:
eu vi que não era ele,
ele viu que não era eu.

MILLÔR FERNANDES in Pif-Paf

01.01.24

Apenas sensações de sol e frio...

Certeza incerta de alegria e mágoa...

Qualquer coisa de fluido como um rio...

Qualquer coisa sem corpo como a água...

Pedro Homem de Mello in "Poemas" 1934-1961

 

24.11.23

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Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares, nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia.

ALEXANDRE O'NEILL in Tomai lá do O'Neill, Círculo de Leitores, 1986

02.11.23


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A memória do tempo
está cheia de espadas e navios
e da poeira dos impérios
e do rumor dos hexâmetros
e dos altos cavalos de guerra
e dos clamores e de Shakespeare
Quero lembrar-me daquele beijo
que me deste na Islândia
 
JORGE LUIS BORGES, 1977 (in "Poesia Completa")

09.10.23

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Ó Oriente surgido do mar

Ó minha Ilha de Moçambique

Perfume solto no oceano

Como se fosse em pleno ar.

ALBERTO DE LACERDA, poeta (1928-2007)

A praça tem uma torre

Antonio Machado

28.09.23

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Poema de Antonio Machado, poeta modernista espanhol, nascido em Sevilha, em 1875, e falecido num hotel em Collioure, Pirinéus Orientais, França, em 1939.

09.08.23

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PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que
importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que
importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que
importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não
é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal
o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal
o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal
o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora!
– rir de tudo
No riso admirável
de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

© Mario Cesariny de Vasconcelos

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