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mar de magoito

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

15.09.21

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Não sou vil delator, vil assassino,
Ímpio, cruel, sacrílego, blasfemo;
Um Deus adoro, a Eternidade temo,
Conheço que há vontade, e não destino.
 
Ao saber e à virtude a fronte inclino;
Se chora e geme o triste, eu choro, eu gemo;
Chamo à beneficência um dom supremo;
Julgo a doce amizade um bem divino.
 
Amo a Pátria, amo as leis, precisos laços
Que mantém dos mortais a convivência,
E de infames grilhões oiço ameaços!
 
Vejo-me exposto à rígida violência,
Mas folgo, e canto, e durmo nos teus braços,
Amiga da Razão, pura Inocência.
 
António Maria Barbosa du Bocage

08.09.21

A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
 
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teima em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
 
Alexandre O'Neill

 

02.09.21

Se as árvores pudessem falar

do que lhes vai na alma

e não só nos sorrissem

com o seu sorriso verde

ou nos abanassem com o leque

dos seus ramos ágeis;

talvez nos surpreendessem 

com o seu desdém

e pudéssemos distinguir nelas 

os sinais do tempo que aí vem

(agb)

01.09.21

Gosto de ouvir o mar

ecoando no labirinto dos búzios

e o canto dos pássaros 

na copa das árvores 

ensurdecendo o estrépito 

de conversas inúteis

 

Gosto de ouvir o vento

correndo sobre a charneca

embalando as canas do canavial

ao mesmo tempo que o sol

dardeja ouro sobre o olival.

(agb)

30.07.21

ESCRITO DE MEMÓRIA

Elogio-da-leitura-46.png

Formado em direito e solidão, 

às escuras te busco enquanto a chuva brilha. 

É verdade que olhas, é verdade que dizes. 

Que todos temos medo e água pura. 

A que deuses te devo, se te devo, 

que espanto é este, se há razão pra ele? 

Como te busco, então, se estás aqui, 

ou, se não estás, por te quero tida? 

Quais olhos e qual noite? 

Aquela 

em que estiveste por me dizeres o nome. 

Pedro Tamen in «Tábua das Matérias»

17.07.21

À memória de Sebastião Alba

 


Guardava nos bolsos

além de cotão

muitos sonhos roubados

à imaginação

Fora marinheiro, vagabundo

aventureiro

trotara por muitas partes do

mundo

Chamavam-lhe poeta

quando o viam passar de

bicicleta a caminho

da sua oficina de sonhos

Entrava na taberna

era um bom freguês

dizia um poema

cobrava um copo de três

Guardava nos bolsos

além de cotão

muitos sonhos roubados

à imaginação

© António Garcia Barreto

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