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03
Jun21

Leituras

por António Garcia Barreto

Estou a ler, neste momento, três livros. Nada de raro. Um livro de viagens com fundo histórico: "Mar das Especiarias", de Joaquim Magalhães de Castro; um romance de um autor americano já falecido: "A Convidada de Honra", de Irving Wallace; e vou lento, de trás para a frente e vice-versa, o livro de um conhecido autor de nacionalidade canadiana, mas nascido na Argentina, que tem vivido os últimos anos em Lisboa: "Uma História da Leitura", de Alberto Manguel. Foi também com a cidade de Lisboa, através do presidente da câmara municipal da cidade, que o escritor estabeleceu um protocolo para doar a sua biblioteca privada com mais de 40.000 volumes de obras maioritariamente de literatura e não ficção nas áreas das artes e humanidades. Será criado o Centro de Estudos de História da Leitura no Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, que receberá o espólio do autor. E é assim que uns livros levam aos outros. "Ler dez páginas de um livro por dia não sabe o bem que lhe fazia."

19
Mai21

Alberto Manguel

por António Garcia Barreto

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Alberto Manguel, escritor de origem argentina e nacionalidade canadense, autor da conhecidíssima "Uma História da Leitura" (edição portuguesa da Tinta da China), entre muitas outras obras, legou a sua impressionante (pela quantidade e qualidade das obras) biblioteca pessoal de 40.000 volumes à cidade de Lisboa, onde vive atualmente.

O espaço para receber este acervo de livros fica, ao que julgo, num palacete da Rua das Janelas Verdes, que está a sofrer obras de remodelação para receber e adequar esse espaço ao fim em vista: uma extraordinária biblioteca.

É um gesto que dignifica o autor e a cidade de Lisboa.

02
Mai21

Ainda as capas de livros

por António Garcia Barreto

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Passei agora o olhar pelas capas de livros acabados de editar. A maioria é de uma confrangedora medíocridade. Acredito que muitas dessas capas pouco ou nada tenham a ver com o conteúdo do livro. Capas berrantes, com títulos formados por enormes caracteres, como se quisessem entrar pelos olhos dentro do eventual leitor. Adquire-se a capa num depósito de imagens. Não se procura um ilustrador que produza uma capa adequada ao tema. É pescar leitores com a "mosca" menos própria. Perdeu-se o gosto pela beleza de uma capa simples e discreta. Sim, a capa é importante, pode ser até uma pequena obra de arte. Mas no livro o que sobretudo interessa é o texto, a estória, a informação nele contida - o miolo. Dou como exemplo de uma belíssima capa a que apresento ao lado com design de Paulo Condez e ilustração de Sónia Oliveira (sem falar na contracapa, que também é muito bela, com uma fotografia de José Cardoso Pires).

Nota: fotografia minha com fraca resolução.

02
Mai21

Conselho de médico

por António Garcia Barreto

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23
Abr21

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor 2021

por António Garcia Barreto
"O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo."
(Fonte: DGLAB) (Cartaz © Adamastor: Susana Diniz e Pedro Semeano).

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17
Abr21

Dobras de leitura

por António Garcia Barreto

Acontece muitas vezes andar a ler vários livros ao mesmo tempo. Não é nada do outro mundo É uma hábito que se adquire facilmente nas faculdades de letras. Nesse tempo muitos livros serviam apenas para consulta de alguns capítulos, passagens, prefácios, etc. Raramente se lia um livro inteiro num curso de História. Não se tratava de ficção, embora, por vezes, também lêssemos ficção para suportar algum trabalho. Lembro-me, por exemplo de algumas narrativas que li de fio a pavio, como se diz, para a cadeira de Sidonismo, no 5.º ano da licenciatura, dadas as referências aos acontecimentos desse ano de 1918.
Vem isto a propósito de, neste momento, distribuir a minha atenção literária por três obras: «O Cânone Ocidental», de Harold Bloom; «A Saga de Gösta Berling», de Selma Lagerlöf; e «Operação Shylock», de Philip Roth. Bloom é para ir relendo. Selma é para ler com calma de forma a absorver aquele «mundo de sonho e fantasia com raízes nas antigas sagas e lendas» da Suécia. Roth é para ler sempre a abrir. É vida mais próxima, contemporânea, em que realidade e ficção se aliam, e que só o talento de um escritor superlativo nos pode proporcionar.

16
Abr21

Amor e dedinhos de pé

por António Garcia Barreto

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Excelente livro (e capa), cujo enredo decorre em Macau, e que serviu de base ao filme do mesmo nome realizado por Luís Filipe Rocha, com Joaquim de Almeida e Ana Torrent nos principais papéis, entre outros atores. Estreado em Macau em 1992 e em Lisboa no ano seguinte.

15
Abr21

Leitura e capas de livros

por António Garcia Barreto

Durante o salazarismo, apesar do índice muito elevado de analfabetismo, as pessoas liam bastante. Publicavam-se algumas edições de bolso a preços mais acessíveis. Quem gostava de ler e não tinha posses para comprar livros socorria-se das bibliotecas públicas ou das bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian. Havia a ideia de que os livros traziam conhecimento, mesmo depois do aparecimento da televisão, quando se dizia que esta mataria a rádio e a leitura. Hoje existe muita gente com formação superior, mas é assinalável o analfabetismo funcional: dificuldades na leitura e na interpretação de um texto, erros ortográficos (que a leitura muitas vezes ajuda a corrigir), dificuldade de expressão escrita. Um dos aspetos interessantes naqueles livros publicados na longa noite salazarista eram as suas capas. Quase sempre da autoria de um artista plástico, sobretudo nas obras de ficção e poesia. Atentemos nas palavras de Pacheco Pereira sobre o assunto no blog "Estátua de Sal".

E é a surpresa das capas, desde colecções comuns, policiais, de ficção, do “coração”, pulp fiction produzida para ser barata e consumida ao ritmo da semana, infantil, tudo com capas originais, cuidadas para chamar a atenção, muitas vezes berrantes ao estilo das histórias de quadradinhos da época, produzidas por nomes que se tornaram conhecidos, ou já eram conhecidos e respeitados, mas também por um proletariado do desenho, da pintura, dos cartazes, que fazia capas, telas para os cinemas, publicidade, cromos de colecção, capas de fados e partituras. Mas tudo explodia de vigor, cor, imaginação, kitsch do bom. Uma exposição dessas capas seria um sucesso. Nada era deslavado, mortiço.

Hoje em dia as capas são compradas a fundos de imagens, perdendo-se o prazer de ligar a obra literária e a obra de um artista plástico, relacionando a capa com o texto. Naquele tempo, esses artistas de renome, ou à procura de nome, como sublinha Pacheco Pereira, apostavam nas capas dos livros como pequenas obras de arte, ligando a imagem ao conteúdo da obra. O livro era um objeto de culto, como acontecia com a capa e o disco de vinil onde vinha acondicionada. Pequenas alegrias que se perdem.

30
Mar21

O formato do livro

por António Garcia Barreto

Quando escolho um livro para levar para a cama ou para a secretária, para o comboio ou para oferecer de presente, considero tanto a forma como o conteúdo. Dependendo das ocasiões, dependendo do lugar onde escolho ler, prefiro um livro mais pequeno e cómodo ou mais amplo e substancial. Os livros revelam-se pelos títulos, pelos autores, pelos lugares que ocupam num catálogo ou numa estante, pelas ilustrações na capa. E também pelo tamanho. Consoante a época e o lugar, antecipo que os livros tenham aparências diversas e, como em todas as modas, essas características passageiras fixam uma qualidade precisa para a definição de um livro. Avalio um livro pela capa; avalio um livro pelo formato.
(…)
Alberto Manguel in “Uma História da Leitura”, Tinta-da-China, 2020

21
Mai20

Livros e leitura

por António Garcia Barreto

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