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Viagens por dentro dos dias

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

17.10.21

Já foi a Óbidos, este ano? Se gosta de livros, aproveite. Está a decorrer o Fólio, Festival Literário de Óbidos, até ao dia 24/10. Mas não só de livros se fala por lá. Muitos outros acontecimentos culturais têm lugar na simpática e centenária vila de Óbidos. Pode, por exemplo, escolher um livro no mesmo local onde estão à venda frutas e legumes. Mas não é um supermercado. Também pode beber uma ginginha ou deliciar-se com um copito de chocolate. Vai ser uma alegria, verá. Veja aqui o catálogo do Fólio. E aqui o jornal Fólio 2021.

23.09.21

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Hoje, levado pela leitura de uma página do livro "A cidade nervosa", de Enrique Vila-Matas, relatando o seu encontro com a escritora Marguerite Duras, dei por mim a ir buscar todos os livros que possuo desta escritora e realizadora francesa, e rememorar alguns dos seus livros. Por exemplo, "Barragem contra o Pacífico" (Prémio Goncourt, 1984), "O marinheiro de Gibraltar" e "A vida material", entre outros livros cuja escrita de Duras sempre me cativou. Recordo ainda o belíssimo filme "O Amante" extraído do romance "O amante da China do norte" realizado por Jean-Jacques Annaud, em 1992 (episódios no YouTube). A escrita de Duras está muito marcada pela sua infância e adolescência em Saigão (hoje Ho Chi Minh), antiga Indochina Francesa, onde a mãe era professora e os dois irmãos pessoas de personalidades completamente opostas: o mais velho, um marginal, jogador e consumidor de ópio; o mais novo, um rapaz sensível, que o mais velho repudiava, e Duras adorava. Os livros de Marguerite Duras são o testemunho de um tempo, de uma paixão adolescente, de uma vivência pessoal levada aos limites. Vale muito a pena ler a sua obra, ver os filmes que realizou, sem esquecer o filme de Jean-Jacques Annaud, que capta de modo sublime um primeiro contacto com o amor, físico e emocional, uma paixão, um ambiente, um lugar, uma época.

Apreciação do Júri do Prémio Literário Orlando Gonçalves...

… ao romance vencedor, intitulado «O Discreto Cavalheiro».

19.09.21

O júri considerou por unanimidade distinguir a obra que lhe pareceu possuir maior qualidade para merecer o prémio. Considerou ainda haver outras obras na condição de serem distinguidas. Ao todo foram submetidos a concurso onze originais, um ou outro volumoso, com umas centenas de páginas. O do nosso premiado não sendo dos mais extensos revela uma perfeita eficácia narrativa assente na sobriedade e solidez da linguagem e na vivacidade da ação. A nível de enredo francamente integrado na intriga da tipologia do policial, o texto apresenta interesse elevado na trama investigativa, com uma galeria de personagens bem modelada, e a ação dominada e permanente atenção dos leitores pelos episódios posteriores. Neste último aspecto, acho que, nos dias de hoje, é um caso raro de leitura aquela que se faz de uma assentada sem pausas nem adiamentos. Possuindo o segredo da complexidade através da simplicidade de construção, a narrativa apresenta ainda alguns aspetos que na opinião do júri demonstram alguma originalidade, nomeadamente: a existência do triplo autor que é simultaneamente narrador, personagem e detetive. As motivações psicológicas do crime das personagens envolvidas, a mescla bem desenhada de ambientes urbanos e palacianos, Lisboa e Castelo de Vide, nomeadamente. Ambiguidade de género literário, ficção ou policial, ficção policial ou policial ficcionado? Como sabem, o policial é raro na literatura portuguesa de ficção, havendo alguns exemplos na obra de Cardoso Pires e Lobo Antunes. Outro aspeto que nos parece original é o domínio dos mecanismos detetivescos, a gestão aguda do suspense e serenidade corajosa do narrador-personagem coroados na conclusão imprevista do processo. E, por fim, há uma solução inédita de um homicídio que todos desejam arquivar e cujo arquivo se mantém mesmo depois de desvendado (o homicídio).

11.09.21

Amanhã encerra a Feira do Livro de Lisboa. Ainda está a tempo de fazer uma visita ao local e comprar aquele livro por que tanto se interessa. Os livros agradecem, os editores e os autores, também. A Cultura idem e os leitores serão (são) a contraparte do diálogo permanente com os autores.

09.09.21

Entrar na casa (de Teixeira de Pascoaes) é como viajar das alegrias tropicais de Carmen Miranda à tristeza granítica de Pascoaes. Tudo na casa (de Amarante) continua tal como ficou há meio século, à morte do escritor. Impressiona ver o sombrio gabinete de estudo, a janela - "lembro-me da quinta e da sua janela... E que Deus se lembre para sempre de nós!", escreve Unamuno a Pascoaes,  após visitar a casa - o terraço aberto para a serra do Marão, a biblioteca intacta, o escritório e a austera cama desenhada por ele.

Enrique Vila-Matas in "Da Cidade Nervosa", Campo das Letras, Porto, 2006

03.06.21

Estou a ler, neste momento, três livros. Nada de raro. Um livro de viagens com fundo histórico: "Mar das Especiarias", de Joaquim Magalhães de Castro; um romance de um autor americano já falecido: "A Convidada de Honra", de Irving Wallace; e vou lento, de trás para a frente e vice-versa, o livro de um conhecido autor de nacionalidade canadiana, mas nascido na Argentina, que tem vivido os últimos anos em Lisboa: "Uma História da Leitura", de Alberto Manguel. Foi também com a cidade de Lisboa, através do presidente da câmara municipal da cidade, que o escritor estabeleceu um protocolo para doar a sua biblioteca privada com mais de 40.000 volumes de obras maioritariamente de literatura e não ficção nas áreas das artes e humanidades. Será criado o Centro de Estudos de História da Leitura no Palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes, que receberá o espólio do autor. E é assim que uns livros levam aos outros. "Ler dez páginas de um livro por dia não sabe o bem que lhe fazia."

19.05.21

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Alberto Manguel, escritor de origem argentina e nacionalidade canadense, autor da conhecidíssima "Uma História da Leitura" (edição portuguesa da Tinta da China), entre muitas outras obras, legou a sua impressionante (pela quantidade e qualidade das obras) biblioteca pessoal de 40.000 volumes à cidade de Lisboa, onde vive atualmente.

O espaço para receber este acervo de livros fica, ao que julgo, num palacete da Rua das Janelas Verdes, que está a sofrer obras de remodelação para receber e adequar esse espaço ao fim em vista: uma extraordinária biblioteca.

É um gesto que dignifica o autor e a cidade de Lisboa.

02.05.21

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Passei agora o olhar pelas capas de livros acabados de editar. A maioria é de uma confrangedora medíocridade. Acredito que muitas dessas capas pouco ou nada tenham a ver com o conteúdo do livro. Capas berrantes, com títulos formados por enormes caracteres, como se quisessem entrar pelos olhos dentro do eventual leitor. Adquire-se a capa num depósito de imagens. Não se procura um ilustrador que produza uma capa adequada ao tema. É pescar leitores com a "mosca" menos própria. Perdeu-se o gosto pela beleza de uma capa simples e discreta. Sim, a capa é importante, pode ser até uma pequena obra de arte. Mas no livro o que sobretudo interessa é o texto, a estória, a informação nele contida - o miolo. Dou como exemplo de uma belíssima capa a que apresento ao lado com design de Paulo Condez e ilustração de Sónia Oliveira (sem falar na contracapa, que também é muito bela, com uma fotografia de José Cardoso Pires).

Nota: fotografia minha com fraca resolução.

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