Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

Um livro

pode ser uma descoberta maravilhosa

28.10.22

Um livro pode ser uma descoberta maravilhosa. O contrário também pode acontecer. Mas a percentagem pende muito mais para o lado da descoberta maravilhosa, desde que se saiba escolher um bom livro. Falo de ficção literária, de romances, contos, novelas, não de outros livros. E como é que se escolhe um bom livro? Tem de estar em consonância com o nosso sentir, gosto e disponibilidade de leitura. Antes devemos nos informar, o mais possível, sobre o tema da obra e o autor, se ainda o não conhecemos. A sinopse da contracapa ou da badana do livro podem ajudar. Recensões nos jornais também podem ser úteis. E, claro, podemos sempre estar disponíveis para descobrir um novo autor, uma diferente forma de escrever, uma nova temática. Amor à primeira vista. É necessário ler bastante para ficarmos a conhecer melhor aquilo que encanta ou agita o nosso gosto literário. Importante é decidirmo-nos pela leitura. Atrevo-me a deixar uma dica: um livro deve ser lido em tempo útil. Digamos, uma semana. No máximo duas semanas. Mais do que isso afasta-nos da tensão da escrita e do enredo. Boas leituras.

21.10.22

8DE8C87F-58AF-4E88-8A90-33A4E0ACE8B9_1_201_a.jpeg

É na cidade francesa de Annecy que o escritor António Garcia Barreto cruza os destinos de João dos Passos, o protagonista do seu novo romance Querubim, o Filho da Puta, e da jovem e elegante Malvina Bleck, uma misteriosa hospedeira de bordo que traz consigo uma mala preta, que se tornará omnipresente ao longo de todo o livro.

Do blog da editora Guerra e Paz

04.10.22

O meu novo romance à venda em todas as livrarias a partir de 25 de Outubro. Edição da Guerra e Paz, Editora.

querubim-o-filho-da-puta.jpg

Sinopse da contracapa:

"Um amor que se alimenta de sexo, silêncios e mistérios: um thriller empolgante. João dos Passos conhece uma mulher jovem, elegante, que se aproxima dele numa esplanada em Annecy. Malvina Bleck diz ser hospedeira de bordo, o que uma omnipresente mala preta comprova. Quando o convida para viver com ela, em Londres, ele hesita, mas sente-se atraído por essa aventura. Malvina despede-se e deixa-lhe o seu contacto. Aventura ou cilada? João vai para Londres. Apartamento, sexo, vida livre, bons restaurantes, tudo isso Malvina lhe oferece. A troco de quê? De silêncios, segredos, mistérios. O que transporta Malvina naquela mala preta quando viaja em serviço? O que esconde essa mulher que o seduz e que se deixa seduzir? Quem a persegue? João apenas sabe que, além de ser hospedeira, ela tem uma ligação a um marchand de arte, em Lisboa. Pinturas e esculturas que não cabem na mala preta."

A estória de um crime

Último parágrafo do romance

13.09.22

image.jpegLevantou-se sentindo uma ligeira vertigem, apoiando-se no espaldar da cadeira. Estava muito branca, tremia. Num impulso tentei ampará-la. Fez um sinal de que estava tudo bem. Mas não estava. Numa atitude surpreendente e inesperada caiu-me nos braços, deixando as lágrimas libertarem-se. Meu querido irmão, repetiu. Que mal lhe fez quem lhe deu a vida. Como percebo bem, agora, todo o seu sofrimento. Como é possível que não se respeite uma criança, um ser indefeso? Afastei-a com brandura, sem que o seu perfume me abandonasse. Voltou a sentar-se, abriu a bolsa dela retirando um lencinho de cambraia com que afagou o rosto. A seguir, aparentemente mais serena, liquidou o meu serviço, de acordo com o estipulado. Disse-me que ia falar com o irmão, tentar ajudá-lo. Talvez fossem viver para o Alentejo. Começar uma nova vida. Sim, talvez. É lá que mora a avó materna de Jorge, com quem ele se dá muito bem. Pode ser um bom apoio para ele. Não a desenganei. Perguntou-me se Madalena me tinha tratado bem durante a minha estadia, em Castelo de Vide. Senti-me um príncipe, respondi. Foi muito simpática, sempre disponível para me ajudar, acrescentei. Inês passou a mão pelos cabelos num gesto habitual, levantou-se, de novo, despedindo-se com um aperto de mão prolongado. Podíamos ter-nos encontrado noutras circunstâncias, disse ela, enquanto se dirigia para a porta da sala. Nunca é tarde para que a vida nos surpreenda, retorqui. E como eu gostava de ser surpreendida, senhor Trindade.

12.09.22

images.jpeg

Javier Marías (1951-2022) foi-se embora da vida, deixando os seus leitores órfãos da qualidade da sua escrita. Para mim, um dos melhores, senão o melhor romancista espanhol da atualidade. Gosto tanto dos seus livros, do seu trabalho literário, que de relance alcanço na estante: "Todas as Almas", "Vidas Escritas", "Os Enamoramentos", "Berta Isla", "Tomás Nevinson"… e há mais por lá.
Javier Marías era um daqueles escritores cuja escrita se cola à nossa à pele, cativando-nos pelo seu brilhantismo. Custa vê-los partir, porque para nós, leitores das suas obras, acabam por ter um estatuto de amigos. R.I.P.

Com os Holandeses

Sugestão de leitura

08.09.22

300x-2.jpeg

Sobre o clima, os costumes, as manhas, a bruteza, os vícios, a má comida... A lista começou com Júlio César, alongou-se no decorrer dos séculos, tem casos extremos como o do mal-agradecido Voltaire que, em vez de dar graças pelo refúgio oferecido, sintetizou venenosamente os Países Baixos em "Canards, canaux et canailles". Jesuíta e diplomata, António Vieira disse pior, mas diplomaticamente. De facto são muitos os críticos mordazes de um país em que outros só vêem campos de tulipas, moinhos a rodar serenamente, montes de queijo, diques, água, abundância de belas raparigas loiras e desempenadas. Assim, o optimista Ramalho Ortigão escreveu a suave aguarela que, para muitas gerações, funcionou como relato exemplar de um país exemplar. O meu caso difere.

(Edição Quetzal. Texto da contracapa)

Três Tristes Tigres

Sugestão de leitura

05.09.22

300x.jpeg

Três Tristes Tigres é um dos mais importantes romances da idade de ouro da literatura latino-americana. Fugindo à corrente do realismo mágico (e publicado no mesmo ano em que Cem Anos de Solidão), Três Tristes Tigres é uma narrativa polifónica, em que a experimentação da linguagem e dos seus limites serve o retrato uma Havana pré-revolucionária e uma espécie de diário íntimo dos seus principais narradores (e também objetos da narrativa): Códac, um fotógrafo; Eribó, um músico; Silvestre, um ator; e Bustrófedon, poeta morto que sobrevive através dos registos das suas experimentações linguísticas. As noites nos bares da noite havanesa e a música, o álcool, o sexo, a literatura, as drogas, as putas, os homossexuais e bissexuais são o cenário vivo das conversas, confissões, fantasias e desventuras destes jovens que, cativos de uma realidade medíocre e sem futuro, conseguem sobreviver graças às ideias, à amizade e ao humor.

(Edição Quetzal. Sinopse do editor)

04.09.22

9104271A-3087-4990-B488-C937C16103C3.jpeg

"Nos anos 30 do século xx, em pleno consulado de Salazar, a morte inesperada do Professor Cartago, um latifundiário alentejano, arqueólogo amador com trabalhos de campo na cidade romana de Ammaia (Aramenha/Marvão), levanta dúvida aos seus filhos. O Professor é uma figura próxima do regime vigente na época, lavrador rico, viúvo recente, pessoa discreta de parcas palavras e gestos.» (Da badana do livro).

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D