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mar de magoito

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

02.09.21

Se as árvores pudessem falar

do que lhes vai na alma

e não só nos sorrissem

com o seu sorriso verde

ou nos abanassem com o leque

dos seus ramos ágeis;

talvez nos surpreendessem 

com o seu desdém

e pudéssemos distinguir nelas 

os sinais do tempo que aí vem

(agb)

01.09.21

Gosto de ouvir o mar

ecoando no labirinto dos búzios

e o canto dos pássaros 

na copa das árvores 

ensurdecendo o estrépito 

de conversas inúteis

 

Gosto de ouvir o vento

correndo sobre a charneca

embalando as canas do canavial

ao mesmo tempo que o sol

dardeja ouro sobre o olival.

(agb)

15.07.21

Defronte da minha loggia corre um rio estreio e sinuoso sob a ponte dos namorados, cantarolando nas pedras do caminho, fresco como as nuvens no céu. Nas margens, o verde dos arbustos saúda-o nessa viagem rumo a um rio maior. A natureza tem várias cores e mistérios e o meu coração, perante ela, é um caçador que dispara sorrisos de ternura.

24.06.21

VAI PLANTAR BATATAS

Vai lá para onde pertences e deixa-me em paz. Tem (tinha) algo de ofensa.

No século XIX, após a Revolução Industrial se fazer sentir em Portugal, aqueles portugueses que trabalhavam em fábricas — os operários — eram mais prestigiados que os trabalhadores rurais — os camponeses. Isto muito embora muitos operários tivessem sido antes camponeses, gente ligada à terra, que depois imigrou para os grandes centros populacionais, na periferia dos quais se situavam as fábricas. Mandar alguém «plantar batatas» era uma forma disfarçada de ofender, de mostrar que a fábrica não era lugar para gente desqualificada.

(do livro "O Povo Faz a Língua" com publicação prevista para o final do ano)

28.05.21


Uma boa parte da juventude de hoje pensa que na Internet está toda a sabedoria. Mas engana-se. Apenas está a informação. A Sabedoria, o Saber, o Conhecimento, é algo de mais difícil acesso. Um peixe de águas profundas que não é possível apanhar com as malhas da rede da Internet.

Como diz o Cardeal Tolentino MendonçaPassamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informação que nunca chegamos a aprofundar.”

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