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mar de magoito

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

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25.09.21

Coziam os coiros das arcas por não se poderem manter; e sobre a fome, a água que bebiam era meio salobra e tão barrenta dos enxurros das crescentes que traziam os rios naquela invernada, que não assentava o pé em dous dias, e isto porque não havia aguada que os mouros não tivessem tomada; e se às vezes os nossos à força de armas a queriam ir fazer, uma gota de água custava três de sangue.

Transcrição de aspetos das viagens dos descobrimentos in "O Murmúrio do Mundo" (A Índia Revisitada), de Almeida Faria, Tinta da China, Lisboa, 2012

23.09.21

No café de Flore, sentado com Duras e com o amigo Raúl Escari. Lembro-me de ter perguntado o que achava mais irresistível para as gargalhadas. Duras olhou-me, sorriu, acabou o seu cigarro e disse: "As cascas de banana. As pessoas escorregam e partem os narizes. Sou muito clássica".

Vila-Matas, Enrique, in "Da cidade nervosa", Campo das Letras, Porto, 2006 

09.09.21

Entrar na casa (de Teixeira de Pascoaes) é como viajar das alegrias tropicais de Carmen Miranda à tristeza granítica de Pascoaes. Tudo na casa (de Amarante) continua tal como ficou há meio século, à morte do escritor. Impressiona ver o sombrio gabinete de estudo, a janela - "lembro-me da quinta e da sua janela... E que Deus se lembre para sempre de nós!", escreve Unamuno a Pascoaes,  após visitar a casa - o terraço aberto para a serra do Marão, a biblioteca intacta, o escritório e a austera cama desenhada por ele.

Enrique Vila-Matas in "Da Cidade Nervosa", Campo das Letras, Porto, 2006

09.09.21

Uma das grandes lições que Hemingway nos deixou (aos escritores, foi): a descoberta de que o trabalho de cada dia só deve interromper-se quando já se sabe como se vai começar no dia seguinte.

Enrique Vila-Matas, em «Da Cidade Nervosa»

07.09.21

Superar é preciso. Seguir em frente é essencial. Olhar pra trás é perda de tempo. Passado se fosse bom era presente.

Clarice Lispector

31.08.21

Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba, tanto em terra como no mar. Para os gregos, de leste para oeste, estendia-se do Fásis, no Cáucaso, até às Colunas de Hércules; consideravam implícita a sua fronteira natural a norte e às vezes não se preocupavam com os seus limites a sul. Os sábios da antiguidade ensinavam que os confins do Mediterrâneo se situam onde a oliveira se detém. Nem sempre, nem em toda a parte é assim: há lugares na costa que não são marítimos, ou que o são menos que outros, mais afastados dela. Há lugares em que o continente não se alia ao mar, em que se revela difícil a concordância entre eles. Noutros pontos, o caráter mediterrânico abrange mais vastas porções do continente, penetra-as mais com a sua influência. O Mediterrâneo não é apenas uma geografia.

MATVEJEVITCH, Pedrag in "Breviário Mediterrânico", Quetzal Editores, Lisboa, 2019

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