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19
Mai21

Reunião de poetas

por António Garcia Barreto

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Conjunto escultórico da autoria do escultor belga Francis Tondeur no Parque dos Poetas, em Oeiras.

São 14 os poetas ali representados: António Gedeão, José Carlos Ary dos Santos, António Maria Lisboa, António Botto, Irene Lisboa, Sebastião da Gama, Rui Knopfli, Luís Nava, Adolfo Casais Monteiro, Pedro Homem de Mello, Fernanda de Castro, António Aleixo, Ruy Cinatti, Manuel Alegre.

 

15
Abr21

Leitura e capas de livros

por António Garcia Barreto

Durante o salazarismo, apesar do índice muito elevado de analfabetismo, as pessoas liam bastante. Publicavam-se algumas edições de bolso a preços mais acessíveis. Quem gostava de ler e não tinha posses para comprar livros socorria-se das bibliotecas públicas ou das bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian. Havia a ideia de que os livros traziam conhecimento, mesmo depois do aparecimento da televisão, quando se dizia que esta mataria a rádio e a leitura. Hoje existe muita gente com formação superior, mas é assinalável o analfabetismo funcional: dificuldades na leitura e na interpretação de um texto, erros ortográficos (que a leitura muitas vezes ajuda a corrigir), dificuldade de expressão escrita. Um dos aspetos interessantes naqueles livros publicados na longa noite salazarista eram as suas capas. Quase sempre da autoria de um artista plástico, sobretudo nas obras de ficção e poesia. Atentemos nas palavras de Pacheco Pereira sobre o assunto no blog "Estátua de Sal".

E é a surpresa das capas, desde colecções comuns, policiais, de ficção, do “coração”, pulp fiction produzida para ser barata e consumida ao ritmo da semana, infantil, tudo com capas originais, cuidadas para chamar a atenção, muitas vezes berrantes ao estilo das histórias de quadradinhos da época, produzidas por nomes que se tornaram conhecidos, ou já eram conhecidos e respeitados, mas também por um proletariado do desenho, da pintura, dos cartazes, que fazia capas, telas para os cinemas, publicidade, cromos de colecção, capas de fados e partituras. Mas tudo explodia de vigor, cor, imaginação, kitsch do bom. Uma exposição dessas capas seria um sucesso. Nada era deslavado, mortiço.

Hoje em dia as capas são compradas a fundos de imagens, perdendo-se o prazer de ligar a obra literária e a obra de um artista plástico, relacionando a capa com o texto. Naquele tempo, esses artistas de renome, ou à procura de nome, como sublinha Pacheco Pereira, apostavam nas capas dos livros como pequenas obras de arte, ligando a imagem ao conteúdo da obra. O livro era um objeto de culto, como acontecia com a capa e o disco de vinil onde vinha acondicionada. Pequenas alegrias que se perdem.


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