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mar de magoito

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

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26.07.21

Otelo, o revolucionário dois em um (revolução calma e pacífica e revolução radical), a que faltava ideologia, mas sobrava entrega, deixou-nos. Sou mais “Salgueiro Maia”, mas devemos a Otelo a estratégia de uma revolução libertadora. DEP.

24.04.21

Salgueiro Maia.jpg

Passam amanhã 47 anos sobre a data libertadora do 25 de Abril de 1974. Há gente que continua a sonhar com o passado anterior a essa data, embora admita travesti-lo de democracia. Algo como uma casa velha a precisar de obras profundas, mas na qual apenas se pintam as paredes exteriores de cores garridas, a fingir grandes alterações. Para homens que ainda vestem fatos de três peças e mulheres com o cabelo em ninho de laca, mais do que isso seria comunismo. Devemos a Liberdade a esses militares cansados de uma política castradora e inoperante e de uma guerra que se enrolava eternamente, sem solução à vista. Ousaram vir para a rua, sala dos grandes atos, desafiar o poder instalado durante meio século. Lembro nesta data todos esses militares na figura discreta, determinada e corajosa de um capitão de nome Salgueiro Maia, que encarnou o pensamento dos companheiros e partiu rumo à capital disposto a fazer aquilo que fez e só isso. O resto seria trabalho para os políticos. Esse capitão que afastou honrarias e preferiu continuar a ser um militar numa terra livre, a quem os cavacos deste país nunca perdoaram e nunca agradeceram. Lá onde estiveres, capitão, sabe que nós outros te agradecemos o gesto, a coragem e a verticalidade de que sempre deste provas.

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