19.09.25

Às vezes penso com os meus botões porque razão fui levado, há muitos anos, pelo desejo de ser escritor. Sobretudo num país que despreza a cultura e que à educação e à instrução pública não concede primazia. As palavras dos políticos não interessam. Escrever em modo profissional é cansativo, ocupa mais horas que um horário normal. O escritor, eu, escrevo durante o dia, mas também me levanto de noite acordado por uma ideia para um romance ou novela que esteja a escrever, para tomar nota dessa ideia que me acordou. Faço parte da APE desde 1977/78 e também da SPA desde data idêntica. Enquanto quadro de empresas, para lá desse trabalho, mantive a atividade literária roubando tempo aos fins-de-semana e até às férias. Mesmo durante a guerra em África, enquanto militar, escrevi. E isto não sucede apenas comigo. Posso dizer, sem errar muito, que se passa e passou com outros escritores. Lembro-me de José Régio, David Mourão-Ferreira, Vergílio Ferreira, Fernando Namora e tantos outros. A pergunta que faço a mim mesmo é: será que valeu, vale a pena?
António Garcia Barreto