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Viagens por dentro dos dias

Blog sobre tudo e sobre nada. Em particular, em torno de literatura, arte, viagens.

Blog sobre tudo e sobre nada. Em particular, em torno de literatura, arte, viagens.


15.10.21

Os aviões transformaram-se no transporte público do povo de havaiana nos pés e mochila às costas. Todos apertadinhos como sardinha em lata. As refeições são agora sandochas e sumos nas viagens de médio curso. É aquilo que o pessoal gosta, habituado a lambuzar-se com hambúrgueres carregados de ketchup e maionese. O lombo, o rosbife, só faz mal. Boa viagem.


25.09.21

Coziam os coiros das arcas por não se poderem manter; e sobre a fome, a água que bebiam era meio salobra e tão barrenta dos enxurros das crescentes que traziam os rios naquela invernada, que não assentava o pé em dous dias, e isto porque não havia aguada que os mouros não tivessem tomada; e se às vezes os nossos à força de armas a queriam ir fazer, uma gota de água custava três de sangue.

Transcrição de aspetos das viagens dos descobrimentos in "O Murmúrio do Mundo" (A Índia Revisitada), de Almeida Faria, Tinta da China, Lisboa, 2012


31.08.21

Não sabemos ao certo até onde vai o Mediterrâneo, nem que parte do litoral ocupa, nem onde acaba, tanto em terra como no mar. Para os gregos, de leste para oeste, estendia-se do Fásis, no Cáucaso, até às Colunas de Hércules; consideravam implícita a sua fronteira natural a norte e às vezes não se preocupavam com os seus limites a sul. Os sábios da antiguidade ensinavam que os confins do Mediterrâneo se situam onde a oliveira se detém. Nem sempre, nem em toda a parte é assim: há lugares na costa que não são marítimos, ou que o são menos que outros, mais afastados dela. Há lugares em que o continente não se alia ao mar, em que se revela difícil a concordância entre eles. Noutros pontos, o caráter mediterrânico abrange mais vastas porções do continente, penetra-as mais com a sua influência. O Mediterrâneo não é apenas uma geografia.

MATVEJEVITCH, Pedrag in "Breviário Mediterrânico", Quetzal Editores, Lisboa, 2019


12.04.21

As viagens libertam-nos da opressão do quotidiano vivido no mesmo lugar. Também se pode viajar à volta do umbigo, sem sair do mesmo sítio, sonhando realidades irreais. Mas não é a mesma coisa. São viagens sem cheiro, sem a cor adequada, sem formato, sem adrenalina, sem a surpresa da aventura. De qualquer forma, mais vale viajar pelo sonho do que estacionar a vida num ancoradouro sem água. Aí morrem os barcos que o mar destruiu e esqueceu.

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