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Viagens por dentro dos dias

Blog sobre tudo e sobre nada. Em particular, em torno de literatura, arte, viagens.

Blog sobre tudo e sobre nada. Em particular, em torno de literatura, arte, viagens.


01.01.25

Esta velha angústia

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Deu lugar a um novo arranjo,

E eu que não sou um anjo

Ou só um anjo caído

Um monstro ferido

Coxo e moído

Que sou como sou

Como quem é

Como é…

Eu…

Hei-de morrer pelo meu pé.

Paulo Anes in Parto de Fé, Caravela Edições, 2019


07.12.24

Para curar Ana Lopes,

A dois médicos chamei.

Um lhe deu xarope de Rei,

Outro, o Rei dos xaropes.


D. Tomás de Noronha (séc XVI-XVII).

Fidalgo da alta nobreza, sem redimentos condignos, dissipador, estróina, viveu sempre às portas da miséria. Conhecido pelo apodo de Marcial de Alenquer, deixou-nos exemplos de textos ricos em alusões ao mundo social entre o qual vivia.


02.12.24

Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

Viver sempre também cansa

José Gomes Ferreira


29.11.24

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O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.

O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens não se transformam
Não cai neve vermelha
Não há flores que voem,
A lua não tem olhos
Ninguém vai pintar olhos à lua

Tudo é igual, mecânico e exato

Ainda por cima os homens são os homens
Soluçam, bebem riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe
automóveis de corrida…

E obrigam-me a viver até à morte!

Pois não era mais humano
Morrer por um bocadinho
De vez em quando
E recomeçar depois
Achando tudo mais novo?

Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses
Morrer em cima dum divã
Com a cabeça sobre uma almofada
Confiante e sereno por saber
Que tu velavas, meu amor do norte.

Quando viessem perguntar por mim
Havias de dizer com teu sorriso
Onde arde um coração em melodia
Matou-se esta manhã
Agora não o vou ressuscitar
Por uma bagatela

E virias depois, suavemente,
velar por mim, sutil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo…

JOSÉ GOMES FERREIRA

Sebastião da Gama

O poeta da Arrábida


27.11.24

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Quero é que venha, venha
de onde vier,
a Vida.
 
E tão rica de si
que não precise de versos,
nem precise de pedras com dizeres,
para ser conhecida.
 
Venha,
porque há-de haver um pai
que há-de contar a um filho que haja sempre
a história da minha vida.
 
Sebastião da Gama in O Inquieto Verbo do Mar, Assírio & Alvim, 2024 (imagem: Sebastião da Gama e a mulher Joana Luísa da Gama


12.11.24

 

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Coloque o seu ouvido perto da sua alma e ouça com atenção.

ANNE SEXTON (1928-1974), poeta norte-americana, PRÉMIO PULITZER DE POESIA, em 1967. Desde muito nova instável emocionalmente, depressiva e com tendências suicidas, ela cometeu suicídio aos 45 anos.

POEMA
O problema foi este:
eu deixara congelar os meus gestos.
O problema não estava
na cozinha ou nas tulipas
mas apenas na minha cabeça, na minha cabeça.
 
ANNE SEXTON

ás do mar

Asas do mar


22.09.24

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xuntos     pulseiras de vento azul
  ceo   mar dos nosos abrazos
noite silencio estendéndose   canistrelo de palabras
todo é mar    o noso mar de cova
poboado de xoias de ondas
navegación que se alonga na caricia de amor
   noso cuarto de sal
 
 TRADUÇÃO
 
juntos    pulseiras de vento azul
  céu    mar dos nossos abraços
noite silenciosa espalhando   açafate de palavras
tudo é mar   o nosso mar caverna
povoado de jóias das ondas
navegação que se prolonga na carícia do amor

   nosso quarto de sal

© Manoel T, 2014 (poeta galego de finisterra: poema e fotografia)

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