31.08.25
Não é fácil morder o pó dos dias.
(agb)
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31.08.25
Não é fácil morder o pó dos dias.
(agb)
24.08.25
UM AMOR VIVIDO À DISTÂNCIA NÃO SE CUMPRE,
É APENAS SAUDADE
(AGB)
24.08.25
Três títulos meus na Feira do Livro do Porto, stand da Book Cover Editora.
Até 07 de Setembro 2025

18.08.25



15.08.25
Sara Cohen estava sentada no bar do Hotel Suisso-Atlantico, usando óculos de lentes fumadas, como uma atriz de cinema posando para o seu público. Tomava chá e lia uma revista disponível num escaparate à entrada do bar. Esteve assim largos minutos. Depois levantou-se para devolver a revista ao escaparate. Parecia não ter pressa. Vestia saia castanha e uma blusa branca de algodão, com mangas compridas. Calçava sapatos abotinados num tom cinza claro. Sobre a cadeira repousava um casaco no mesmo tom da saia. Se Alberto a visse, naquele momento, diria que estava linda como sempre. Naquela época, porém, não se podiam revelar sentimentos em público. A não ser que se fosse estrangeiro. Estávamos em plena II Guerra Mundial.
António Garcia Barreto
24.07.25

Primeira página do romance É PERIGOSO BRINCAR COM OS BEIJOS
(de António Garcia Barreto)
17.07.25
A minha mãe estava na casa dos oitentas e muitos. Vivia sozinha, num rés-do-chão. Não. Vivia ela e os seus pensamentos. Quando fomos morar para aquela casa, havia ainda poucos automóveis. Ela chegava à janela, via toda a praça, aproveitava e falava com alguma vizinha, que estivesse de passagem. O parque automóvel aumentou muito ao longo dos anos e agora estacionavam em cima do passeio, defronte da janela. A minha mãe estava sempre a reclamar. Chegava à janela e só via automóveis e carrinhas que lhe tapavam a visão.
Eu tinha por hábito visitá-la a seguir ao almoço. E lá fui mais uma vez. Ela estava sentada por detrás da janela, como era hábito, depois de tomar o seu frugal almoço. Invariavelmente, era peixe cozido ou um hambúrguer com arroz. Cheguei-me à janela e ela estava com a cabeça de lado e a boca vermelha. Bati nos vidros várias vezes. Não deu acordo de si. Pensei o pior. Não tinha chave de casa da minha mãe. O que vou fazer?, pensei com o coração acelerado. Fui bater à porta da vizinha. Pedi-lhe para me deixar ir ao seu quintal e saltar para o quintal da minha mãe. O muro era alto e eu tinha cinquenta anos. Não foi fácil. Do outro lado, eu sabia que a porta do quintal, que dava para a cozinha, estava sempre encostada. Empurrei a porta e dirigi-me à sala de jantar onde a minha mãe costumava sentar-se à janela depois do almoço.
— Mãe! — exclamei, de coração apertado, ao entrar na sala.
Ela abriu os olhos e disse:
— Meu filho!
— Tens sangue na boca, mãe?
— Não, filho. Vim a comer um morango para a janela. Não é sangue, é o resto do morango. Adormeci.
António Garcia Barreto in "Pescar à Linha"
08.07.25
25.06.25

Romances. Book Cover Editora, Bertrand, FNAC, Wook e outras livrarias.
18.06.25

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