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Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

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31.07.23

Sempre gostei muito de comer, mas não de comer muito. Que fique a destrinça. Umas lascas de presunto cortada da perna do animal, com pão, ou com ovos. Uns bifes tenros, suculentos, com batatas fritas e ovo a cavalo. O presunto que se compra nos supermercados vem quase todo embalado, fatiado sem serem fatias, lascas prensadas e servidas como se fossem fatias, que quando se pega nelas se desfazem na mão. E, claro, a maioria das embalagens trazem aqueles produtos conservantes e colorantes, que a gente fica sempre na dúvida se estamos a comer presunto (etc.) com pequenas doses de veneno. A dúvida é permitida. Quanto aos bifes tenros e suculentos, vou ali e já venho. Entram na frigideira e começam a babar água, não fritam, não grelham - cozem. Escapa, por vezes, o bife do lombo, que é caro. O da vazia já foi bom, mas agora engana muito.

Temos o peixe. Grande parte tem origem na aquicultura. Sabe tudo ao mesmo. Mas quem é que nos manda ser triliões de habitantes no mundo? A pesca escasseia, não há forma de alimentar o mundo com peixe do mar. Até o fiel amigo, o bacalhau, é cada vez menos fiel. É apanhado, salgado, congelado, ou seco pelo frio, pouco já seca com sal e ao sol.

É claro que temos a culinária vegan. Já tenho provado alguma coisa e até gosto. Mas se pego numa embalagem de mortadela a fingir e leio os ingredientes, lá vêm os conservantes e colorantes. O tofu tem de ser mascarado com molhos para saber a alguma coisa. Não vou lá. Dificilmente me habituo a novos paladares.

Em resumo: tenho saudades da comida caseira da minha avó, qualquer que fosse a ementa por ela preparada.

20.07.23

Já ouviram falar no povo Hunza, que vive no vale do rio Hunza, na fronteira entre a Índia e o Paquistão? São apenas 30.000 habitantes de um vale paradisíaco a viver a 2500 metros de altitude. Se tiverem paciência, sigam a ligação acima. Talvez se admirem.

19.07.23

Sua Excelência, o Senhor Presidente do Brasil, Lula da Silva, parece que anda muito contente consigo próprio e com a sua política externa, sobretudo com Portugal e a Europa. O problema é que lhe falta sentido de humor. Há pouco, falando sobre a comunidade brasileira em Portugal, não conseguiu travar o seu impulso espirituoso. Sobre os 500.000 cidadãos brasileiros em Portugal, disse qualquer coisa como "qualquer dia os brasileiros serão mais do que os portugueses". As palavras podem não ter sido exatamente estas, mas é este o sentido. 

Seria bom que o Presidente Lula da Silva refletisse sobre o facto de ser presidente de um país, com a área de um continente e uma população de mais de 200 milhões de pessoas; país que tem população com necessidade de emigrar para um pequeno país europeu com 10 milhões de habitantes. Os brasileiros são bem-vindos, mas o Presidente Lula da Silva deve moderar os seus impulsos espirituosos.

A propósito do romance

Querubim, o Filho da Puta

18.07.23

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Leitura em Dia, uma sugestão literária da Rádio Universitária do Minho, com o apoio do DST Grupo. (Transcrição do podcast que pode também ser ouvido em: https://rum.pt/shows/leitura-em-dia) com referência à data de 23/06/2023.
 
Sugestão dos profissionais da rádio: António Ferreira e Sérgio Xavier.
.
Para hoje temos um romance intitulado Querubim, o Filho da Puta. É da autoria de António Garcia Barreto. A edição é da Guerra e Paz. Este exemplo, esta sugestão de leitura para este tempo, para este verão, dá pretexto para confirmar e ver o seguinte: como é a vida literária e editorial em Portugal. Alguém procura este autor? Alguém lê este autor? Tirando talvez os amigos e os familiares poucos conhecerão António Garcia Barreto. Serve para dizer que o meio editorial português todo ele é feito de pecadilhos, pequenas invejas, rancores, esquecimentos, velocidade, tudo adiante que atrás vem gente e este já não interessa, é descartável. Mas se vos disser que este é um dos casos de maior injustiça e apagamento que se fez nos últimos anos em Portugal; o desinteresse total por um autor é algo a bradar quase ao vento ou aos céus.
(…)
António Garcia Barreto teve livros importantes sobre a literatura infanto-juvenil, os ensaios, livros maravilhosos, encantadores e encantatórios para os mais novos, na Ambar, na editorial Ambar, e depois também excelentes romances, bons romances em outras chancelas, como é o caso da Campo das Letras, mas já lá iremos. António Garcia Barreto, ele nasceu na Amadora em 1948, no dia 15 de dezembro, é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, esteve como militar na guerra colonial, foi livreiro, gestor de recursos humanos e diretor de pessoal. Colaborou com vários jornais, o Notícias de Lourenço Marques, o Diário Popular, o República e também nos suplementos O Pimpão e O Pontinho, daqui o seu gosto pela literatura infanto-juvenil. Esteve nos anos 80 na criação e dirigiu A Oficina do Tio Lunetas, no Notícias da Amadora, um suplemento também para os mais novinhos, se quisermos. O seu conto O Minuto Mágico foi distinguido no Prémio Literário Hernâni Cidade, da C.M. do Redondo, e na Campo das Letras - e aqui estamos nós em 2005 - o romance Ensina-me a Namorar. E em 2006, sobre a guerra colonial, o romance À Sombra das Acácias Vermelhas. Tem já deste ano de 2023, O Regresso do Primo Basílio. Este é um policial.
(…)
João do Passos (protagonista de Querubim, o Filho da Puta) está em França, mais precisamente em Annecy, e embate de frente com Malvina Bleck, uma suposta hospedeira de bordo. A mala que arrasta Malvina Bleck é de uma empresa ou de uma grande transportadora aérea. Malvina convida João dos Passos para Londres. O nosso amigo hesita bastante, mas o canto da sereia é tão afinado e melodioso, para além dos ouvidos rebenta-lhe com o cérebro e com o coração. E ele vai, vai, e é a partir daqui, do mundo da criminalidade, o mundo daquilo que são os negócios mais obscuros e escuros da arte em Lisboa, vai perceber qual é a sua missão, o papel que terá de desempenhar João dos Passos junto de Malvina, porque também é fácil de perceber, que quadros e esculturas não cabem na mala da nossa hospedeira. E é aí que entra o coração, o amor, e o amor quando entra, como se sabe, ai, ai, que são elas, e a casa começa a abanar e de que maneira.
A afirmação de um excelente autor, descubram-no aqueles que não o conhecem. Quem conhece, esperemos que haja alguém, aprecie esta escrita maravilhosa num português escorreito e em alta velocidade, que, garanto-vos, depois da primeira página é de um folgo só. Uma maravilha.

17.07.23

IMG_1765.jpeg

O rapaz ia pela rua a mastigar pastilha elástica. Entrou na farmácia para levantar o medicamento para a avó. De repente, a pastilha colou-se-lhe ao céu-da-boca e à língua. Não conseguia abrir a boca, não conseguia falar. Fez um gesto para o velho farmacêutico, apontando a língua presa. O homem procurou os óculos de ver ao perto, mas não os encontrou. Aproximou-se do rapaz, meteu-lhe os dedos na boca e arrancou-lhe a língua.

© António Garcia Barreto in "Histórias de Bolso"

17.07.23

RaduanNassar.jpg

«Já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.» 

(Raduan Nassar, escritor brasileiro galardoado com o Prémio Camões, 2016)

12.07.23

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Excelente a iniciativa em curso do Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, sob proposta da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), de um cheque-livro a entregar a todos os jovens que façam 18 anos, a iniciar já neste ano de 2023. Não se sabe ainda o valor do cheque. Na proposta fala-se em 100 euros. Vamos estar atentos a esta iniciativa.

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