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Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

30.11.22

I

Conheço uma pessoa que tem um gato a que deu o nome de Ramiro; e um cão a que chamou César. Ela chama-se Zefa Sardinha.

II

— Eh, pá, já o campeonato vai a meio e ainda não obtivemos um golo. Até parece mentira — disse Bruno.

— Tens de convir que é muito difícil enfiar uma bola redonda numa baliza rectangular. São geometrias diferentes — retorquiu Carvalho, cofiando a melena.

(agb)

O foie gras

perdeu a batalha com Carlos III

27.11.22

Uma grande decisão do Rei Carlos III, do Reino Unido, foi a retirada do foie gras da mesa do rei e de seus convidados em todos os palácios e castelos, em cerimónias públicas ou privadas, and so on. Patos e gansos congratulam-se com a decisão de Sua Majestade. Serem obrigados a empaturrar-se para terem os seus fígados transformados em autênticos trambolhos gastronómicos é uma crueldade que nem o paladar supimpa de certas pessoas pode justificar. Esteve bem Sua Majestade. Mas foi uma decisão real ao nível de galinheiro. O Mundo continuará à espera que Sua Majestade, Carlos III, tome futuras decisões reais ainda mais impactantes.

José Ruy

um artista da banda desenhada

26.11.22

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Morreu na quarta-feira 23/11, aos 92 anos (1930-2022), José Ruy, aquele que era o mais antigo e um dos mais brilhantes bandadesenhistas em funções. Nascido e falecido na Amadora, de onde também sou natural, li muitas das suas histórias gráficas, de elevada qualidade, bem como possuo alguns dos álbuns que ele criou mais recentemente sobre localidades portuguesas, como é o caso de História da Amadora, Levem-me Nesse Novo Sonho, uma edição da Âncora Editora. Colaborou ainda em alguns jornais e revistas infantis, de entre eles o "Cavaleiro Andante" e "O Mosquito", de boa memória. Foi o primeiro autor a ser galardoado com o Prémio de Honra do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, em 1990. Fica aqui este breve apontamento sobre este artista de inegável talento e larga produção ao longo dos anos, que agora nos deixou.

25.11.22

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- Às vezes, tenho-te ódio - rematou Malvina, não conseguindo disfarçar o desespero.

- Ao contrário de ti, eu tenho-te sempre amor. Mas não pactuo com as tuas asneiras. Custa-me muito ver uma mulher inteligente, bonita, apresentável, não ser capaz de dar uma volta completa na sua vida.

"Querubim, o Filho da Puta", romance, Guerra e Paz Editora

23.11.22

Em negócios de futebol eu não me meto, embora pudesse ter alguma coisa a dizer sobre o assunto. Parece-me, no entanto, que toda a gente tem qualquer coisa a dizer sobre o chamado desporto-rei, pelo que seria uma perda de tempo pronunciar-me. Devo afirmar, porém, que gosto de ver jogar futebol, sobretudo quando bem jogado. Há qualquer afinidade do futebol com o bailado. Mas o que eu gosto mesmo de saber é que o Japão ganhou à Alemanha (2-1); ou que a Arábia Saudita venceu a Argentina (2-1); ou que a Dinamarca empatou com a Tunísia (0-0), ou ainda o resultado dos EUA com o País de Gales (1-1). Estes resultados mostram como o futebol é um jogo de prováveis surpresas. A menor das quais não será os estadios, no Qatar, terem sido construídos por mão-de-obra considerada escrava, segundo as notícias que correm na Comunicação Social. Isto em pleno séc. XXI.

21.11.22

Facebook, Futebol e Fátima é o novo triunvirato mobilizador dos portugueses. O Fado perdeu o apetite, emagreceu, agora aparece mais travestido de fado-canção ou canção com viola e guitarra a acompanhar. A juventude já não é fadista, embora continue a haver jovens que gostam de fado, sobretudo os filhos da pequena-nobreza-aburguesada. Na verdade, em mais de cinquenta anos de democracia, mantivemos os três FFF que nos definiam como povo, substituindo apenas a palavra de um deles: fado por facebook. Estou convicto de que o Facebook tem alguma coisa de fado, pois é aí que muita gente vai exprimir as suas mágoas, mostrar a sua dignidade ferida, as suas esperanças e os seus sonhos, e falar dos seus amores... desgraçados. O Facebook tem ainda a vantagem de funcionar como comunidade de vizinhos (já que na rua e na escada do prédio poucos trocam saudações), onde se encontram aqueles que sob o rótulo de amigos charlam a toda a hora e se deixam encantar com a exposição permanente de fotografias, imagens e memes. Eu também estou inscrito nessa comunidade de vizinhos, povoada por grande número de recoletores do trabalho alheio, através da palavra mágica Partilha.

18.11.22

É preciso extirpar o politicamente correto da nossa vida quotidiana. Essa invenção de políticos manhosos e dos seus capatazes, restringe a liberdade individual e coletiva. Faz do cidadão comum um ser humano que tem de viver entre baias político-morais para satisfazer interesses que não lhe dizem respeito. Interesses que só favorecem uma casta de políticos que carregam a liberdade nas palavras, mas condicionam a sua prática no dia-a-dia através de pseudo-teorias submetidas por grupos de pressão e lobbies. Ninguém tem de viver submetido àquilo que determinados grupos defendem e apregoam. A liberdade ou é livre, ou é mentirosa.

18.11.22

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"A arquitetura de Masuleh, no Irão, é única. As suas casas estão dispostas de forma escalonada na encosta. Os telhados são planos e curiosamente quase não há ruas. Para circular as pessoas usam os telhados das casas.

(Fotografia de Rasool Mojahedi. Fonte: malemalefica on tumblr)

 

13.11.22

"Todavía", poema de Mario Benedetti, poeta, escritor e ensaísta uruguaio (1920-2009) dito pelo próprio, num trabalho de digitalização da sua voz. (Arte digital de Marcelo Rubéns Balboa publicado em Tumblr)

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