Putin
um louco à frente de um arsenal nuclear?
21.09.22
Putin ameaça e depois recua. Entretanto, faz mais uns bombardeamentos, mas vai recuando e retirando os submarinos de Sebastopol com receio de que os ucranianos ataquem a Crimeira, o que já esteve mais longe de acontecer. Volta a ameaçar, querendo ter um poder que vem perdendo desde que iniciou a invasão da Ucrânia. Na Rússia há já movimentos de contestação da putinagem no poder e do seu soberano, bem como em pequenos países que saíram da esfera de Moscovo desde que Gorbatchev iniciou a Perestróica. Dizem que os seus generais se têm vindo a afastar dele. O problema é que o homem não é de confiança. É um produto dos serviços secretos que o educaram no molde da ex-União Soviética. Não se sabe quando pode desvairar de vez e com a ajuda de fidelidades próximas atacar com armas proibidas. A incógnita é o virús desta guerra. Por outro lado, não me parece que os ucranianos parem seja para o que for, sem terem recuperado todo o território que lhes foi usurpado. Não creio, infelizmente, que a paz esteja para breve.




Levantou-se sentindo uma ligeira vertigem, apoiando-se no espaldar da cadeira. Estava muito branca, tremia. Num impulso tentei ampará-la. Fez um sinal de que estava tudo bem. Mas não estava. Numa atitude surpreendente e inesperada caiu-me nos braços, deixando as lágrimas libertarem-se. Meu querido irmão, repetiu. Que mal lhe fez quem lhe deu a vida. Como percebo bem, agora, todo o seu sofrimento. Como é possível que não se respeite uma criança, um ser indefeso? Afastei-a com brandura, sem que o seu perfume me abandonasse. Voltou a sentar-se, abriu a bolsa dela retirando um lencinho de cambraia com que afagou o rosto. A seguir, aparentemente mais serena, liquidou o meu serviço, de acordo com o estipulado. Disse-me que ia falar com o irmão, tentar ajudá-lo. Talvez fossem viver para o Alentejo. Começar uma nova vida. Sim, talvez. É lá que mora a avó materna de Jorge, com quem ele se dá muito bem. Pode ser um bom apoio para ele. Não a desenganei. Perguntou-me se Madalena me tinha tratado bem durante a minha estadia, em Castelo de Vide. Senti-me um príncipe, respondi. Foi muito simpática, sempre disponível para me ajudar, acrescentei. Inês passou a mão pelos cabelos num gesto habitual, levantou-se, de novo, despedindo-se com um aperto de mão prolongado. Podíamos ter-nos encontrado noutras circunstâncias, disse ela, enquanto se dirigia para a porta da sala. Nunca é tarde para que a vida nos surpreenda, retorqui. E como eu gostava de ser surpreendida, senhor Trindade.

