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Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

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O Discreto Cavalheiro

Trecho do romance

29.03.22

227189C2-22C4-4F84-A67A-27A8E2B08911.jpeg"Depois do jantar, a noite completou-se com fados e guitarradas, como era habitual no retiro. Cantou o João Maria dos Anjos, cantigas da sua autoria, e a Ercília Costa, a quem já chamavam a Santa do Fado. À ceia, lá pelo meio da noite, entre o caldo verde, chouriço assado, copos de vinho, palmas e mais fado, cheguei a pensar que era feliz. Mas eu sei que a felicidade é uma impostora. Só aparece de fugida para nos manter a esperança acesa. Ou como dizia Frei Bernardo, naqueles momentos em que despia o hábito e se deixava levar pela oratória fácil: ‘Felicidade e Esperança são duas mulheres que só nos dão desgostos. Se ficarmos com a Esperança podemos perder a Felicidade; se a Felicidade nos agarrar nunca mais teremos Esperança."

António Garcia Barreto in «O Discreto Cavalheiro», Âncora Editora, Lisboa, 2022

27.03.22

À medida que o tempo avança, a narrativa da guerra na Ucrânia vai mudando. Parece que o povo que foi atacado e que teve o país invadido, de que vem resultando milhões de deslocados, além de mortos e feridos, e cidades completamente devastadas, afinal não é melhor que o seu antagonista. A isto chama-se branquear a realidade e recuperar o odioso, de modo que pareça quase humano e dentro da razão. É a lógica de que o bruto atacante deve ser tratado com condescendência, quando o recíproco não existe. É a guerra, estúpido. Se me atacas só me posso defender atacando-te, se possível com armas iguais ou melhores. O resto é homilia de padre na missa.

26.03.22

Mr. Biden veio à Europa fazer uns negócios que há muito interessavam aos USA. Aproveitou para espevitar os funcionários de Bruxelas e Estrasburgo, amodorrados nas mordomias, e a precisar de um empurrão, lembrando-lhes que a guerra existe e que se deve estar preparado para ela. Não devemos esquecer, digo eu, que existe um portentoso negócio de armamento e sem guerras o negócio tende a ir à falência. Por outro lado, há malucos que podem ser úteis ao negócio, mas também podem não ter limites e acabar com o negócio, acabando com os negociantes, e o que vier por arrasto que, normalmente são populações indefesas, que só pretendem levar uma vida digna. O que sabemos desde a II Grande Guerra é que em caso de barulho, muito barulhento, o Tio Sam está sempre disponível para dar uma ajudinha, desde que seja ele a trunfar o jogo. Depois cobra, claro, mas ninguém trabalha de borla. E aí está o gás liquefeito a demonstrá-lo.

O Discreto Cavalheiro

Já disponível na WOOK.PT

26.03.22

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"Nos anos 30 do século xx, em pleno consulado de Salazar, a morte inesperada do Professor Cartago, um latifundiário alentejano, arqueólogo amador com trabalhos de campo na cidade romana de Ammaia (Aramenha/Marvão), levanta dúvida aos seus filhos. O Professor é uma figura próxima do regime vigente na época, lavrador rico, viúvo recente, pessoa discreta de parcas palavras e gestos.» (Da badana do livro).

Romance «O Discreto Cavalheiro», Prémio Literário Orlando Gonçalves, Edição Âncora Editora. Lançamento no dia 23 de Abril, pelas 14:30 h, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora. Apresentação de José Fanha, que integrou o júri em nome da Sociedade Portuguesa de Autores.

Já disponível na WOOK.PT

24.03.22

FOismGfXwAY41P9.jpegHá cambalhotas políticas fáceis de entender. É o caso daquela que deu a ex-deputada do PAN Cristina Rodrigues. A política pode ser a defesa de um ideal com emprego ou apenas um emprego sem ideal. Suponho que seja este o caso da ex-deputada que encontrou emprego como assessora parlamentar do Chega. Podia ser para lamentar, mas não vale a pena pensar nisso. É o que é. Quem sintetizou bem a operação foi o ator Gonçalo Waddington que no twitter escreveu: 

Há quem retire as costelas flutuantes para ter mais flexibilidade, depois há quem retire a espinha dorsal toda para poder dobrar até dizer Chega. 

Está tudo dito.

20.03.22

Na sociedade atual a vida vai progredindo cada vez mais balizada pelo politicamente correto, imposto pelo pensamento político ocidental, pelos comportamentos padronizados da pequena-burguesia urbana e pelo desvario crescente das redes sociais, até ao dia em que depararmos com a liberdade asfixiada. O politicamente correto é o pensamento dirigido em função dos interesses das máquinas político-económicas. A liberdade não se coaduna, por definição, com uma vida de estereotipos, que acaba por ser castradora e impeditiva da iniciativa individual, da força da imaginação e da criatividade. Quando dermos por nós estaremos a viver numa ditadura que não se diferenciará muito da que já experimentámos antes. 

19.03.22

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Não venho falar do livro de João Tordo, que ainda não li. Venho só chamar a atenção para esta capa de superior qualidade gráfica. Capa limpa, simples, arejada, que defende bem o título do livro. E, certamente, o seu conteúdo.

 

Guerra a toda a hora

O que é demais é demasiado diria o Senhor de La Palisse

19.03.22

BBCVinte e quatro horas por dia de guerra na comunicação social, sobretudo nos canais TV, extensível às redes sociais, é dose. Ainda por cima com as chamadas notícias de última hora ou breaking news, que acabam por ser as notícias de todas as horas, com uma ou outra novidade, são mais do mesmo. Eu sei que nem todas as pessoas seguem as notícias como se estivessem de plantão, mas temo mesmo assim que sejam demasiadas, sempre à espera daquilo que ainda não se sabe e dificilmente se vai saber, porque a guerra não corre à mesma velocidade dos noticiários. Faz intervalos. Nos canais de TV também fazem intervalo, quase sempre para falarem de futebol, que é outra guerra. O que é demais é demasiado, como diria, porventura, o Senhor de La Palisse. (A imagem é © BBC)

Submeter um país a vassalagem

Não estamos na Idade Média

19.03.22

Não há qualquer justificação para a invasão da Ucrânia pela Rússia. Claro que essa invasão teria de trazer consigo destruição, mortes de inocentes, deslocações e refugiados. São milhões. Como se pode justificar o ataque a hospitais, cidades e alvos civis e o desmembramento de um país? Estamos no séc. XXI, não na Idade Média. Não há qualquer justificação humanamente razoável, a não ser estarmos em presença de um país liderado por um autocrata louco, que não conseguiu segurar a sua loucura. Não vale a pena ir lá atrás, buscar fundamentos e comparações, detalhes históricos, etc. A História e a evolução humana anda sempre em frente, não se repete, embora por vezes haja quem tente pará-la, fazê-la regredir. Depois dá no que dá. É injustificável invadir um país, pior ainda se o fazem por vingança, ou para tirar desforra de qualquer coisa passada, tentando reduzi-lo à qualidade de vassalo submisso e silencioso. Na Europa ou onde quer que seja.

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