Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



28
Jun21

Um povo que sonha rente à relva

por António Garcia Barreto

Voltámos a não prestar para nada, agora que a Seleção Nacional de Futebol foi chutada de regresso para casa. Fernando Santos diz que tem os "os jogadores a chorar no balneário". Isto comove. Também o governo e António Costa parece que já não prestam para nada, agora que se aproximam eleições e é preciso carregar nas desgraças. Na verdade, Portugal nunca esteve bem. Às vezes, parece que sim; mas logo a seguir parece que não. Rui Rio esgrime o mais que pode com as desgraças alheias à procura de ser feliz, mas não vai chegar lá. Não tem estatura para primeiro-ministro e não se conhece bem quem o acompanha. O senhor Presidente continua a sua presidência aberta, sempre a tentar elevar a nossa autoestima sem o conseguir. O senhor Presidente da Assembleia da República continua a ser do Sporting, mas deixou de pedir para irmos todos, em força, a Sevilha apoiar a Seleção. Afinal, não valia a pena. Enfim, voltámos ao que sempre fomos: um povo que sonha rente à relva. Valha-nos o vice-almirante, o único que ainda não perdeu o norte (nem o sul) e continua no seu posto.

24
Jun21

Expressões idiomáticas

por António Garcia Barreto

VAI PLANTAR BATATAS

Vai lá para onde pertences e deixa-me em paz. Tem (tinha) algo de ofensa.

No século XIX, após a Revolução Industrial se fazer sentir em Portugal, aqueles portugueses que trabalhavam em fábricas — os operários — eram mais prestigiados que os trabalhadores rurais — os camponeses. Isto muito embora muitos operários tivessem sido antes camponeses, gente ligada à terra, que depois imigrou para os grandes centros populacionais, na periferia dos quais se situavam as fábricas. Mandar alguém «plantar batatas» era uma forma disfarçada de ofender, de mostrar que a fábrica não era lugar para gente desqualificada.

(do livro "O Povo Faz a Língua" com publicação prevista para o final do ano)

24
Jun21

A mente precisa de livros

por António Garcia Barreto

A mente precisa de livros como uma espada precisa de uma pedra de amolar, se quiser manter seu fio. É por isso que leio tanto.

George R.R. Martin

22
Jun21

Covid-19 e liberdade de informação

por António Garcia Barreto

Todos os dias na comunicação social há informação e contrainformação sobre o Covid-19. Agora, tão depressa a variante Delta é controlável pelas vacinas, como as vacinas são ineficazes, em alguma medida, para combatê-la. Mas não só. Há muito mais que não vale a pena repetir, em que qualquer pessoa atenta repara. É lamentável que ninguém tenha mão sobre isto. Parece que não há Estado, que não há autoridade. A liberdade serve para tudo, só não serve para gerar bom senso e sentido de responsabilidade.

21
Jun21

Os Verdes Anos

por António Garcia Barreto

"Os Verdes Anos", 1963. Argumento e realização de Paulo Rocha. Adaptação e diálogos de Nuno Bragança. Atores Isabel Ruth e Rui Gomes.

 

Tags:

21
Jun21

A tia de Inglaterra (excerto)

por António Garcia Barreto

Oiça então: desde que eu vi aquela dama que todo o corpo se me encaracolou. Assim à tigre antes de gazelar-se. Eu tinha dezoito Nuno Bragança. Foto, Gérard Castello Lopes.jpganos e pincel para águas-fortes: é pastoreio áspero, reguila. Até então, Mulher era bicho a decifrar e espalhadíssimo, em muitos corpos diferentes. Agora, todo esse panorama se apertava como um telescópio que se encaixa. Não sei se é sempre desse modo em todo o meco. Uma fervura assim, do alto às baixas.

Nuno Bragança, "A Tia de Inglaterra" in Obra Completa, Dom Quixote, Alfragide, 2009

21
Jun21

A menina tinha um gato

por António Garcia Barreto

POEMAQUASENEO-REALISTAAmeni.png

Do livro "O cio das manhãs", publicado por  Astrolábio Edições, 2020

20
Jun21

As vibrações da tugalândia

por António Garcia Barreto

Portugal perdeu com a Alemanha em futebol. Não foi a primeira vez, nem será a última. Dois jogadores tugas enganaram-se na baliza. Mas ainda somos campeões da Europa, embora de um momento para o outro passássemos de bestiais a bestas. Fernando Santos, o treinador, idem. Os comentadores afiam as facas consoante os seus interesses ou a sua clubite. É giro viver na tugalândia, esse reino da estupidez, da inveja, do bota-abaixo, na ponta da Europa. Somos todos bons, mas ninguém presta.

19
Jun21

Artur Pastor, fotógrafo

por António Garcia Barreto

Sesimbra.jpg

Artur Pastor, "A Condição Humana", Sesimbra, décadas de 40/60

 

17
Jun21

VITÓRIA

por António Garcia Barreto

charles-bukowski-02-768x509.jpg

as promesas que fizemos
honramo-las
e
quando formos cercados
pelos cães das horas
nada
nos poderá ser confiscado
a não ser
as nossas vidas.
 
Charles Bukowski in «Os cães ladram facas», Alfaguara, 2018

Tags:

Pág. 1/2



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2021
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2020
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ