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07
Mai21

Vacinação

por António Garcia Barreto

Hoje é dia de tomar a 2.ª dose da vacina da Pfizer. Bora lá com isso para ajudar à imunidade de grupo.

06
Mai21

É Perigoso Brincar com os Beijos (abertura)

por António Garcia Barreto

Olhei para Conchita estendida no areal, em reduzido biquíni, e não senti sombra de desejo. Não me interroguei sobre as razões desse desencanto, nem lhe conferi qualquer significado. Entre mim e ela todas as descobertas estavam cumpridas, todas as emoções experimentadas, todos os mistérios desvendados. O fogo que lavrara forte à superfície da pele extinguira-se, entrara numa fase de rescaldo. Era natural. Sem amor não é possível amar. De início, fora diferente. Pensar em Conchita excitava-me como nos meus tempos de adolescente. Era uma mulher lindíssima, sensual, com traços de crioula, de olhos que escondiam segredos por revelar, senhora de um corpo a pedir elogios.

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De personalidade forte, percebia-se que estava habituada a lidar com a vida sem subterfúgios nem cenas melodramáticas. O problema é que as mulheres como Conchita cansavam-me, desiludiam-me, pouco depois de conhecê-las. Tinham gostos e interesses aparentemente supérfluos, gastavam demasiado dinheiro em roupas e objetos inúteis, não aprofundavam conversas, não falavam do passado nem perspectivavam o futuro. O presente circunscrevia-se a frases feitas, adereços de moda e divertimento. Viciada em jogo, sapatos e roupa, Conchita fumava bastante e bebia vodkas-martinis a toda a hora. O seu anfitrião preferido era o barman do hotel. Eu olhava para ela e via-a sempre de copo numa mão e cigarro na outra. Gastava muito tempo e dinheiro no cabeleireiro, no ginásio e no spa. Uma vez perguntei-lhe, num momento de distração, o que a levava a fechar-se numa sala a tresandar a suor de marcas diferentes e a correr, como uma louca, numa passadeira; ou a deixar que lhe amassassem o corpo com unguentos e pedras, quando a natureza fora simpática com ela. Respondeu-me que adorava o exercício físico, e a massagem reabilitava-a. Compreendi. Além disso, acrescentou, gastar dinheiro aumentava-lhe o astral. Aqui não compreendi tão bem. Aumentava-lhe o astral? Bom, deixei de lado. O remate da conversa fez-me pensar. Gastar dinheiro fazia-a esquecer a infância infeliz, em que faltara tudo, até o amor. Deve ter sido a única vez que falou verdade comigo. Não a criticava. Ela podia fazer da vida o que bem entendesse, desde que não o fizesse com o meu dinheiro. Disse para comigo: Osvaldo, vamos acabar com isto. Foi bom, mas very expensive. A propósito: Osvaldo Ventura sou eu. Muito prazer.

Astrolábio Edições, Fev. 2021

02
Mai21

Ainda as capas de livros

por António Garcia Barreto

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Passei agora o olhar pelas capas de livros acabados de editar. A maioria é de uma confrangedora medíocridade. Acredito que muitas dessas capas pouco ou nada tenham a ver com o conteúdo do livro. Capas berrantes, com títulos formados por enormes caracteres, como se quisessem entrar pelos olhos dentro do eventual leitor. Adquire-se a capa num depósito de imagens. Não se procura um ilustrador que produza uma capa adequada ao tema. É pescar leitores com a "mosca" menos própria. Perdeu-se o gosto pela beleza de uma capa simples e discreta. Sim, a capa é importante, pode ser até uma pequena obra de arte. Mas no livro o que sobretudo interessa é o texto, a estória, a informação nele contida - o miolo. Dou como exemplo de uma belíssima capa a que apresento ao lado com design de Paulo Condez e ilustração de Sónia Oliveira (sem falar na contracapa, que também é muito bela, com uma fotografia de José Cardoso Pires).

Nota: fotografia minha com fraca resolução.

02
Mai21

Conselho de médico

por António Garcia Barreto

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02
Mai21

Olhar para trás

por António Garcia Barreto

Olhar muito para trás pode originar torcicolos e uma visão alterada da realidade.

(agb)

01
Mai21

Dia do trabalhador

por António Garcia Barreto

Hoje é Dia do Trabalhador. Passando os olhos pelas capas dos jornais não parece que seja um dia diferente dos outros, pois não é dado grande destaque à efeméride. Os dirigentes políticos e sindicais tiveram o seu tempo e não têm seguidores que os façam esquecer. As novas gerações mostram-se, em geral, pouco preocupadas com os problemas sindicais (não tanto com os políticos). Dão muita relevância à carreira profissional, como meta de realização pessoal e alcance de melhores remunerações. Preocupam-se com a preservação do meio ambiente. Querem fazer o que gostam, importando-se pouco com anseios de grupo em ambiente corporativo. É cada vez maior o número de pessoas a trabalhar a recibos verdes, os empregos são mais voláteis, não asseguram o futuro. O patronato sem rosto tem um poder que os sindicatos atuais dificilmente conseguem combater com as estratégias e os apoios do passado. A militância sindical está numa fase regressiva. As novas gerações não acreditam "nos amanhãs que cantam". Preferem assistir aos concertos das suas bandas favoritas. O mundo mudou. O Dia do Trabalhador, também.

01
Mai21

Allgarve e pandemia

por António Garcia Barreto

O Algarve atual perdeu o L que um antigo ministro lhe acrescentou à designação territorial. E perdeu também, como quase todo o país, o turismo. Nos últimos dias estive na região, concretamente na zona do concelho de Lagoa. Posso dizer que era difícil encontrar um pessoa na rua de tal forma que em muitos locais se podia andar sem máscara, mantendo uma distância de dezenas de metros. Em locais fechados, como supermercados, por exemplo, a questão era diferente, mas as pessoas cumpriam, sobretudo na obrigatoriedade de usar máscara. Alguns grandes hotéis continuavam fechados. É de crer, porém, que com a abertura de fronteiras a situação se inverta. Esperemos que a liberdade pós desconfinamento não descambe em aumento de pessoas infetadas. Médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar têm outras situações clínicas a que dar atenção e resolver. É preciso que o cidadão se responsabilize pelo seu comportamento social na questão pandémica, não facilitando; e que a vacinação continue a bom ritmo, como parece ser o caso desde que o vice-almirante Gouveia e Melo ficou com a responsabilidade de organizar e gerir esta situação concreta.

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