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Viagens por dentro dos dias

Blog em torno de literatura, arte, viagens, etc.

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07.04.21



Avisam-nos que vamos tomar a vacina da Pfizer e chegados ao local dão-nos a da AstraZeneca. Quando se questiona a situação dizem-nos que ali só dão as vacinas. Toda comunicação com as pessoas não parte daquele local. E pronto. O R(t) já está em 1. Ou seja, entrámos na zona amarela como era de esperar. Os restaurantes já fizeram saber que as pessoas tiram as máscaras nas esplanadas e raramente as voltam a colocar. Eles não sabem como atuar, porque as pessoas não respeitam as suas indicações. Quer dizer: a epidemia é mal que já lá vai. Ficou só a habitual falta de civismo e de bom senso, que importava conservar por mais algum tempo.


03.04.21

Isaltino de Morais criou, anos atrás, em Oeiras, um elevador não tripulado chamado SATU, que ligaria a estação de CF de Paço de Arcos ao Lagoas Park, Tagus Park e ao Cacém, numa fase ulterior. O simpático monstro que circulava sobre as nossas cabeças nunca passou do Shopping de Oeiras, ou seja, não ligava a lado nenhum. Terminava abruptamente junto ao shopping. Acabou por ser um enorme flop. A gestão camarária anterior encerrou a circulação do SATU. Quando destas últimas eleições falou-se que o SATU ia finalmente tomar caminho e servir as áreas inicialmente previstas. Soube-se depois que não seria assim. Não vai haver mais SATU. Dizem que roubaram os cabos. E agora? O inestético e inútil corredor onde circulava o SATU fica ali, formoso elefante branco, pairando sobre as nossas cabeças em forma de betão armado com carris? Com a obra atual junto à chamada "rotunda do Isaltino", que pretende desviar (e bem) o tráfego para a A5, junta-se o corredor inútil com o viaduto a envolver num abraço de cimento o Shopping Oeiras Parque. Uma beleza de arquitetura paisagística.

03.04.21

Num país de lombas e rotundas – a obra emblemática dos nossos autarcas – os automobilistas passam a vida aos pulos e a andar à roda. É recreio em nome da segurança. Porque quando eu acabo de passar duas lombas seguidas numa rua direita e entro noutra a descer, num dia ventoso, e vejo um contentor de lixo passar à minha frente em acelerada velocidade, obrigando-me a uma travagem de emergência, isto já não é recreio. É insegurança sem lombas. O contendor devia estar travado em espaço próprio. E as lombas anteriores não fazem lá falta nenhuma.

01.04.21

A vantagem de ler amplamente, em vez de tentar formular uma série de regras gerais, é que aprendemos que não existem regras gerais, apenas exemplos individuais para ajudá-lo a apontar a direção que você pode querer seguir.

Francine Prose, escritora EUA

01.04.21

Um dia, numa ida ao dentista, a médica que me assistia disse-me que um dos meus dentes do siso, do qual não tinha queixas, estava a babar uma purulência qualquer não visível a olho nu. Só a radiografia à boca revelou a situação. Havia que extrair o dente. Marcámos dia e hora. Lá me apresentei. Sentei-me na cadeira, bochechei a boca e a médica anestesiou-me a zona. Passado pouco começou a extrair o dente do siso. Surge um problema. A médica não tinha força para fazer a extração (situação idêntica ocorreu de outra vez com outra médica com o outro dente do siso). Então a médica chama um colega da sala ao lado, um tipo mastodonte. Mais anestesia. O mastodonte encosta a barrigona à minha cadeira, dá um puxão com o extrator, os meus óculos voam do meu rosto aterrando no colo da médica que estava sentada ao meu lado, e o dente ficou no mesmo sítio, embora já um pouco abalado. Vem outro médico, mais novo, repete o gesto e o dente nem mexeu. É então que a médica se lembra de chamar um colega brasileiro de outra sala (era uma clínica grande, de uma grande companhia), que possuía um extrator feito por ele ou por ele aperfeiçoado. O médico brasileiro apareceu sentou-se ao meu lado, usou o seu extrator com saber e subtileza e extraiu-me o dente com mãozinhas de veludo. Não houve palmas para o médico. Mas todos reconheceram que o seu extrator era uma maravilha. Neste jogo clínico Portugal perdeu 3 - 1 com o Brasil.

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