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mar de magoito

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

Blog de António Garcia Barreto. Literatura & etc.

27.09.21

Em Lisboa ganhou a locomotiva PSD com 4 carruagens atreladas. Não sei como este comboio vai funcionar. A direita tem 7 vereadores e a esquerda 10. Este comboio só vai andar por artes mágicas, ou de empurrão. Talvez se passe a chamar o comboio GERINGONÇA.

25.09.21

Coziam os coiros das arcas por não se poderem manter; e sobre a fome, a água que bebiam era meio salobra e tão barrenta dos enxurros das crescentes que traziam os rios naquela invernada, que não assentava o pé em dous dias, e isto porque não havia aguada que os mouros não tivessem tomada; e se às vezes os nossos à força de armas a queriam ir fazer, uma gota de água custava três de sangue.

Transcrição de aspetos das viagens dos descobrimentos in "O Murmúrio do Mundo" (A Índia Revisitada), de Almeida Faria, Tinta da China, Lisboa, 2012

24.09.21

Antes de levar em conta aquilo que uma figura pública diz à comunicação social (mas não só), é preciso saber a que clube político pertence e em que ocasião exprime o seu pensamento. Só depois podemos concluir se o que diz é razoável, ou se é apenas dito para obter efeitos políticos imediatos.

24.09.21

A metereologia anda todos os dias a prever chuva, aqui na minha zona, e todos os dias me dá sol. Engana-me que eu gosto.

23.09.21

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Hoje, levado pela leitura de uma página do livro "A cidade nervosa", de Enrique Vila-Matas, relatando o seu encontro com a escritora Marguerite Duras, dei por mim a ir buscar todos os livros que possuo desta escritora e realizadora francesa, e rememorar alguns dos seus livros. Por exemplo, "Barragem contra o Pacífico" (Prémio Goncourt, 1984), "O marinheiro de Gibraltar" e "A vida material", entre outros livros cuja escrita de Duras sempre me cativou. Recordo ainda o belíssimo filme "O Amante" extraído do romance "O amante da China do norte" realizado por Jean-Jacques Annaud, em 1992 (episódios no YouTube). A escrita de Duras está muito marcada pela sua infância e adolescência em Saigão (hoje Ho Chi Minh), antiga Indochina Francesa, onde a mãe era professora e os dois irmãos pessoas de personalidades completamente opostas: o mais velho, um marginal, jogador e consumidor de ópio; o mais novo, um rapaz sensível, que o mais velho repudiava, e Duras adorava. Os livros de Marguerite Duras são o testemunho de um tempo, de uma paixão adolescente, de uma vivência pessoal levada aos limites. Vale muito a pena ler a sua obra, ver os filmes que realizou, sem esquecer o filme de Jean-Jacques Annaud, que capta de modo sublime um primeiro contacto com o amor, físico e emocional, uma paixão, um ambiente, um lugar, uma época.

23.09.21

No café de Flore, sentado com Duras e com o amigo Raúl Escari. Lembro-me de ter perguntado o que achava mais irresistível para as gargalhadas. Duras olhou-me, sorriu, acabou o seu cigarro e disse: "As cascas de banana. As pessoas escorregam e partem os narizes. Sou muito clássica".

Vila-Matas, Enrique, in "Da cidade nervosa", Campo das Letras, Porto, 2006 

Apreciação do Júri do Prémio Literário Orlando Gonçalves...

… ao romance vencedor, intitulado «O Discreto Cavalheiro».

19.09.21

O júri considerou por unanimidade distinguir a obra que lhe pareceu possuir maior qualidade para merecer o prémio. Considerou ainda haver outras obras na condição de serem distinguidas. Ao todo foram submetidos a concurso onze originais, um ou outro volumoso, com umas centenas de páginas. O do nosso premiado não sendo dos mais extensos revela uma perfeita eficácia narrativa assente na sobriedade e solidez da linguagem e na vivacidade da ação. A nível de enredo francamente integrado na intriga da tipologia do policial, o texto apresenta interesse elevado na trama investigativa, com uma galeria de personagens bem modelada, e a ação dominada e permanente atenção dos leitores pelos episódios posteriores. Neste último aspecto, acho que, nos dias de hoje, é um caso raro de leitura aquela que se faz de uma assentada sem pausas nem adiamentos. Possuindo o segredo da complexidade através da simplicidade de construção, a narrativa apresenta ainda alguns aspetos que na opinião do júri demonstram alguma originalidade, nomeadamente: a existência do triplo autor que é simultaneamente narrador, personagem e detetive. As motivações psicológicas do crime das personagens envolvidas, a mescla bem desenhada de ambientes urbanos e palacianos, Lisboa e Castelo de Vide, nomeadamente. Ambiguidade de género literário, ficção ou policial, ficção policial ou policial ficcionado? Como sabem, o policial é raro na literatura portuguesa de ficção, havendo alguns exemplos na obra de Cardoso Pires e Lobo Antunes. Outro aspeto que nos parece original é o domínio dos mecanismos detetivescos, a gestão aguda do suspense e serenidade corajosa do narrador-personagem coroados na conclusão imprevista do processo. E, por fim, há uma solução inédita de um homicídio que todos desejam arquivar e cujo arquivo se mantém mesmo depois de desvendado (o homicídio).

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