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17
Jun21

VITÓRIA

por António Garcia Barreto

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as promesas que fizemos
honramo-las
e
quando formos cercados
pelos cães das horas
nada
nos poderá ser confiscado
a não ser
as nossas vidas.
 
Charles Bukowski in «Os cães ladram facas», Alfaguara, 2018

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14
Jun21

Despedida

por António Garcia Barreto

Sempre admirei os esquimós. Um belo dia, cozinham uma deliciosa refeição para a querida e velha mãe, depois ela se afasta, caminhando pelo gelo, e não volta mais… 

Deve-se sentir orgulho em deixar a vida desse modo — com dignidade e resolução.


Agatha Christie, Autobiografia, Livros do Brasil, Lisboa, s/d (197…)

13
Jun21

Apenas um gesto

por António Garcia Barreto

O tempo corre depressa

Quem morre nunca regressa

 

Enquanto o tempo for tempo

Dá-me a pressão no meu ombro

da tua frágil cabeça

 

António José Fernandes in "Ainda não é tarde e Outro Poemas", Medula, 2021

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13
Jun21

É perigoso brincar com os beijos

por António Garcia Barreto

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Quando Osvaldo Ventura abandonou o seu país, aos dezanove anos, nunca supôs que, quarenta anos depois, o seu passado o chamasse de volta para lhe revelar que a vida verdadeira não foi só a que viveu, mas a que deixou para trás esquecida na vila de onde era natural. Tudo sublinhado por uma frase que não teve oportunidade de ler:

-- É perigoso brincar com os beijos.

Romance. Edição em formato de papel e em ebook. Mais informações em Astrolábio Edições.

 

12
Jun21

RIP António Torrado (1939-2021)

por António Garcia Barreto

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Soube hoje de manhãzinha pela televisão, quando me encontrava no Algarve, da morte de António Torrado, aos 81 anos, vítima de doença prolongada. Foi um choque. António Torrado (professor, escritor, poeta, dramaturgo, editor...) teve um papel fundamental na escrita e divulgação da literatura infanto-juvenil, como criador, investigador e compilador e renovador de contos tradicionais portugueses. Foi nessa qualidade de escritor e diretor editorial que o conheci, em 1977, quando ele recebeu, na Plátano Editora, um original meu ("Botão Procura Casa"),

BotaoCasa.jpgpublicando-o de imediato. Publicou-me mais dois outros títulos. Mais tarde deixou a editora para outros voos, mas ainda nos encontrámos em território neutro, na piscina da Praia das Maçãs, onde ele estava com a família. Reencontrámo-nos mais uma ou duas vezes na Feira do Livro, se bem me recordo. Se existo enquanto escritor devo-o a ele. Neste momento de tristeza, endereço à família os meus sentimentos, e presto singela homenagem ao escritor que tanto fez pela literatura infantil portuguesa, escrevendo e divulgando-a. Para além de todas as outras atividades de caráter cultural em que esteve envolvido como criador e dinamizador.

09
Jun21

Soneto de Gomes Leal Apedrejado

por António Garcia Barreto

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Gomes Leal passeia entre as estrelas,
nas mãos erguendo a lira refulgente.
Com mais exactidão, mais vulgarmente,
não leva lira e passa por vielas.
Soam à roda dele charamelas.
Tudo, de glória, lhe parece ausente.
Mas uma pedra voa de repente,
entre chufas que voam das janelas.
Cai de rojo o poeta na valeta.
Já outra pedra nele se projecta,
e ele põe-se a apanhá-las como flores.
Por fim, ao ver que a força lhe falece,
pousa a fronte nas pedras e adormece,
feliz, ensanguentado, alheio às dores.
 
Armindo Rodrigues (médico e poeta - 1904-1993) in «O Poeta Perguntador» (antologia organizada e apresentada por José Saramago), Caminho, Lisboa, 1979

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07
Jun21

Flor de jacarandá

por António Garcia Barreto

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07
Jun21

Regras de escrita

por António Garcia Barreto

«Há três regras para escrever um romance. Infelizmente, ninguém sabe quais são.»


Somerset Maugham, escritor britânico.

06
Jun21

"Como as democracias morrem"

por António Garcia Barreto

Apesar das suas enormes diferenças, Hitler, Mussolini e Chávez percorreram caminhos que compartilham semelhanças espantosas para chegar ao poder. Não apenas todos eles eram outsiders com talento para capturar a atenção pública, mas cada um deles ascendeu ao poder porque políticos do establishment  negligenciaram os sinais de alerta e, ou bem entregaram o poder (Hitler e Mussolini), ou então lhes abriram a porta (Chávez).

A abdicação de responsabilidades políticas da parte de seus líderes marca o primeiro passo de uma nação rumo ao autoritarismo.

Steven Levitsky e Daniel Ziblatt in "Como as democracias morrem" . (Fonte: blog "Eu li nos livros")

06
Jun21

As ciclovias

por António Garcia Barreto

Assim como as rotundas, as lombas, os passadiços, também as ciclovias se tornarem, sobretudo próximo de eleições autárquicas, a grande aposta dos autarcas. Falando em concreto das ciclovias, o que observo em muitos locais por onde passo e, sobretudo, no concelho onde vivo, é que elas têm crescido a um ritmo impressionante. Curiosamente, é raro ver algum ciclista nessas ciclovias. Mas vejo bastantes nas estradas nacionais, em redor da capital, e sobretudo em zonas onde o ciclismo tem o geral apreço das populações. Ciclismo com bicicletas de estrada, semelhantes às dos corredores profissionais. Esses ciclistas não usam as ciclovias, pois gostam de ir em pelotão e as ciclovias são estreitas e praticamente inexistentes ao longo das estradas nacionais. Assim, constroem-se infraestruturas, gastando o erário público, que não são usadas, ou são muito pouco.


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